Amir Cohen/Reuters
Amir Cohen/Reuters

Em meio à tensão com Israel na Cisjordânia, ataques deixam 24 mortos em Gaza, diz Hamas

Primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que terroristas 'cruzaram a linha vermelha' ao promover disparos contra Israel e prometeu que o país 'responderá com muita força'  

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2021 | 15h51
Atualizado 11 de maio de 2021 | 05h34

JERUSALÉM - Autoridades de Saúde palestinas no território da Faixa de Gaza informaram que um total de 24 pessoas, incluindo 9 crianças, foram mortas e 65 ficaram feridas em meio a uma escalada de violência com Israel. O número de mortos fez deste um dos dias mais sangrentos de luta em vários anos. O Ministério da Saúde não divulgou as causas das mortes. Pelo menos sete membros de uma família, incluindo três crianças, foram mortos em uma explosão no norte de Gaza, cujas origens são desconhecidas.

O Exército israelense disse que atingiu vários alvos do Hamas em resposta aos contínuos disparos de foguetes de Gaza e que 15 militantes foram atingidos, embora não pudesse garantir que todos os mortos fossem por causa desses ataques. A passagem de fronteira de Erez, a única que permite aos moradores de Gaza entrar em Israel, foi fechada.

A área tem sido palco de ataques de foguetes de militantes na fronteira disparados contra Israel. Em discurso, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que terroristas cruzaram a linha vermelha ao promover esses disparos e prometeu que o país responderá com muita força. Militantes palestinos na Faixa de Gaza dispararam foguetes contra Jerusalém e o sul de Israel nesta segunda-feira, ameaçando punir Israel por violentos confrontos com palestinos na Cidade Sagrada.

O tenente-coronel israelense Jonathan Conricus disse nesta segunda-feira que pelo menos 6 dos 45 foguetes disparados de Gaza foram lançados em direção aos arredores de Jerusalém, onde uma casa foi atingida, sem deixar vítimas. Em seguida, ele disse que o Exército israelense já efetuou ataques contra alvos militares do Hamas.   

"Começamos a atacar alvos militares do Hamas", disse Conricus em uma entrevista coletiva a jornalistas estrangeiros, sem definir um prazo para qualquer ofensiva israelense. "O Hamas vai pagar um preço alto." 

Ele disse que Israel realizou um ataque aéreo no norte de Gaza contra militantes do Hamas e estava analisando relatos de que crianças foram mortas. "Tivemos vários eventos de foguetes disparados por terroristas de Gaza fracassando. Pode ser o mesmo", disse Conricus.

Sirenes de foguetes soaram em Jerusalém, em cidades próximas e em comunidades próximas a Gaza minutos após o término de um ultimato do grupo islâmico Hamas, que governa o enclave, exigindo que Israel retirasse as forças no complexo da mesquita de Al-Aqsa e outro ponto de conflito na cidade.

Aumento da violência 

Enquanto Israel celebrava o Dia de Jerusalém na segunda-feira, marcando a captura de partes orientais de Jerusalém na guerra árabe-israelense de 1967, a violência irrompeu na mesquita, o terceiro local mais sagrado do Islã. 

O Crescente Vermelho Palestino disse que mais de 300 palestinos ficaram feridos em confrontos com a polícia que disparou balas de borracha, granadas de atordoamento e gás lacrimogêneo no complexo, que também é reverenciado pelos judeus nos locais dos templos bíblicos.

"As organizações terroristas cruzaram a linha vermelha no Dia de Jerusalém e nos atacaram, nos arredores de Jerusalém", disse Netanyahu. "Israel responderá com muita força. Não toleraremos ataques em nosso território, nossa capital, nossos cidadãos e nossos soldados. Quem nos atacar pagará um preço alto", disse ele.

A pedido da Tunísia, o Conselho de Segurança da ONU reuniu-se com urgência nesta segunda-feira para avaliar a violência dos últimos dias em Jerusalém, mas sem chegar a um acordo sobre uma declaração conjunta, já que os EUA consideram que por enquanto não era apropriado lançar uma mensagem pública, disseram diplomatas.

Depois de novas consultas feitas à tarde sobre a possibilidade de publicar um texto comum pedindo uma redução da escalada, vários diplomatas disseram à agência France Presse que nenhuma declaração deveria ser emitida nesta segunda-feira.

Pela manhã, os EUA explicaram aos outros 14 membros do Conselho, em reunião por videoconferência realizada a portas fechadas, que estavam trabalhando nos bastidores para acalmar a situação e disseram não ter certeza de que neste momento um comunicado poderia ajudar./REUTERS e AFP  

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