Em meio a tensão regional, Azerbaijão recebe Hillary

Secretária de Estado dos EUA discutirá conflito com Armênia e apoio de governo a Israel na questão iraniana

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2012 | 06h37

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, chega hoje ao Azerbaijão para discutir não apenas o conflito que envolve azerbaijanos e armênios no enclave de Nagorno-Karabakh, como também o importante suporte do governo de Baku a Israel na questão iraniana. Nos últimos meses, os serviços de segurança do Azerbaijão, um país de maioria islâmica, prenderam 22 suspeitos ligados ao regime de Teerã que estariam planejando atentados contra alvos americanos e israelenses. Os azerbaijanos são também os maiores fornecedores de petróleo para Israel.

A colaboração de Israel deu-se em fevereiro deste ano, por meio da venda de US$ 1,6 bilhão em armas para as Forças Armadas do Azerbaijão. Segundo artigo de Ilya Bourtman no Middle East Journal, os israelenses também "cuidam da segurança do aeroporto de Baku e do próprio presidente, Ilham Aliyev". O líder do Azerbaijão está no poder desde 2003 e é alvo de protestos de entidades de direitos humanos.

Além disso, de acordo com relatos não confirmados por nenhuma das partes e tampouco pelos EUA, o Azerbaijão teria autorizado Israel a usar uma pista de pouso militar em seu território.

Assim, os israelenses não teriam necessidade de sobrevoar longas distâncias sobre os céus de nações com as quais não mantêm relações, como Arábia Saudita, Síria e Iraque, para atingir instalações nucleares iranianas.

Os EUA veem com cautela essa possibilidade, segundo artigo de Mark Perry na revista Foreign Policy. Washington é contra um ataque israelense às instalações nucleares iranianas neste momento, preferindo esperar o resultado das duras sanções contra o setor petroleiro e o Banco Central iranianos que começam a entrar em vigor a partir de julho. Além disso, há o novo canal de negociações diplomáticas entre Teerã e o Sexteto, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha.

O regime de Teerã, por seu lado, acusa o serviço secreto do Azerbaijão de ter colaborado com os EUA e Israel para matar cientistas iranianos envolvidos com o programa nuclear do país que, segundo o Irã, tem fins civis. Americanos e israelenses dizem que o objetivo final é construir armas nucleares. O Azerbaijão sente-se ameaçado pelo Irã, com quem tem disputas territoriais no Mar Cáspio, uma fonte importante de petróleo. Além disso, há uma proeminente minoria azerbaijana no norte do Irã.

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