Park Ji-Ho/Yonhap/Reuters
Park Ji-Ho/Yonhap/Reuters

Em meio a tensões, Coreia do Sul realiza seu maior exercício militar

Coreia do Norte acusa vizinhos de 'instigar guerra', mas não faz ameaças de retaliação

BBC Brasil, BBC

23 de dezembro de 2010 | 07h12

SEUL - Em meio às tensões com a Coreia do Norte, a Coreia do Sul fez nesta quinta-feira, 23, seu maior exercício militar já realizado com artilharia real.

 

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Centenas de soldados, tanques, helicópteros e caças foram usados no exercício, com muitos movimentos a apenas cerca de 20 quilômetros da fronteira fortemente militarizada entre os dois países.

 

A tensão na região vem crescendo desde o bombardeio da ilha sul-coreana Yeonpyeong, no mês passado, que provocou a morte de dois militares e dois civis.

A Coreia do Norte classificou os exercícios como "instigação à guerra", mas não ameaçou com retaliações contra o Sul.

O Exército sul-coreano admitiu que o exercício desta quinta-feira tinha como objetivo mostrar a sua capacidade total de fogo, como demonstração de força para conter possíveis ataques norte-coreanos.

As manobras foram realizadas em Pocheon, a cerca de 50 quilômetros de Seul, a capital da Coreia do Sul.

A Coreia do Sul já realizou 47 exercícios militares neste ano, mas este foi o maior já realizado pelo país em terra com artilharia real.

Evento de mídia

As manobras começaram por volta das 14h45 (3h45 de Brasília) e duraram cerca de 40 minutos, com a exposição de mais de 800 soldados e mais de cem tipos de armamentos, incluindo tanques, mísseis antitanques, helicópteros e caças.

O correspondente da BBC em Seul Kevin Kim disse que os exercícios foram um evento de mídia, mostrando a variedade de armamentos à disposição da Coreia do Sul, com membros do público convidados a assistir à distância. Segundo ele, a sensação em Seul é de que a tensão foi reduzida em relação ao início da semana.

A reação norte-coreana aos exercícios desta quinta-feira foi muito menos contundente do que as ameaças de retaliação feitas na semana passada.

No mês passado, a Coreia do Norte justificou o bombardeio à ilha Yeonpyeong como uma resposta a um exercício militar com artilharia real feito pela Coreia do Sul.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que não haveria razões para uma reação por parte da Coreia do Norte. "Os exercícios foram anunciados com bastante antecedência, com transparência, com natureza defensiva, e não deveriam gerar uma resposta de nenhuma forma dos norte-coreanos", afirmou.

Objetivo cumprido

Outro correspondente da BBC em Seul, Charles Scanlon, diz que os líderes norte-coreanos podem agora concluir que o ataque do mês passado serviu ao seu objetivo - os generais sul-coreanos estão agora se igualando aos seus rivais do norte com retórica hostil.

A nova posição da Coreia do Sul, mais agressiva, deu à Coreia do Norte a oportunidade de se apresentar como o lado agredido e uma força pelo comedimento.

A China e a Rússia já pediram à Coreia do Sul que reduza as tensões, e as autoridades americanas também estão expressando suas preocupações em conversas privadas.

A Coreia do Sul e os Estados Unidos já vinham realizando exercícios militares conjuntos de larga escala, desde o alegado torpedeamento de um navio de guerra sul-coreano pela Coreia do Norte, que provocou a morte de 46 marinheiros sul-coreanos. Os esforços para levar a questão coreana de volta à mesa de negociações vêm se mostrando infrutíferos.

 

A China e a Coreia do Norte dizem que chegou a hora do retorno das negociações entre seis países sobre o programa nuclear norte-coreano. Mas os EUA, a Coreia do Sul e o Japão dizem que não retomarão as negociações, que no passado envolveu recompensas para a Coreia do Norte pela suspensão de seu programa nuclear.

A Coreia do Norte havia abandonado as negociações de seis países em abril de 2009 e expulsou os inspetores nucleares da ONU do seu território.

 

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