Em meio a tensões, Otan discute crise entre Turquia e Síria

Ancara convocou reunião emergencial da aliança militar ocidental depois de ter tido um avião militar abatido por forças sírias.

BBC Brasil, BBC

26 de junho de 2012 | 06h48

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se reúne em caráter emergencial nesta terça-feira para discutir o abate de um avião militar turco por tropas da Síria.

O ato, chamado pelo governo turco de "uma séria ameaça" à paz regional, ocorre em meio ao recrudescimento das tensões relacionadas ao conflito sírio e a especulações sobre uma intervenção internacional no país árabe.

O jato F-4 Phantom turco foi derrubado pela Síria no último final de semana. Damasco alega que a aeronave havia invadido o seu espaço aéreo. Já a Turquia diz que o avião estava em espaço aéreo internacional.

Em uma carta ao Conselho de Segurança da ONU, a Turquia descreveu o incidente como "um ato hostil das autoridades sírias contra a segurança nacional turca".

O governo turco disse que o incidente "não ficará sem punição", mas ressaltou que Ancara não busca adotar nenhuma ação militar contra a Síria.

No âmbito da Otan, a Turquia - que é membro da aliança militar - pediu uma reunião dos embaixadores em Bruxelas, invocando o artigo 4º do organismo, que permite que qualquer país-membro faça consultas caso acredite que sua segurança esteja ameaçada.

Segurança

É a segunda vez que esse artigo é invocado na história da Otan - a primeira vez foi também pela Turquia, em 2003, quando Ancara pediu assistência para garantir sua segurança diante da iminência da guerra do Iraque.

Um oficial da Otan ouvido pela agência de notícias Associated Press disse que a Otan deve ouvir as preocupações turcas, mas não adotará nenhuma medida militar, que dependeria da aprovação de seus 28 países-membros.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse diversas vezes que a aliança precisaria de um mandado internacional - além de apoio regional - para iniciar qualquer ofensiva internacional na Síria.

No ano passado, a aliança comandou ataques aéreos contra alvos líbios após receber um mandato do Conselho de Segurança da ONU, com apoio da Liga Árabe.

No caso da Síria, porém, a Liga Árabe não concordou com uma intervenção militar, temendo que o conflito sírio pudesse ter efeitos profundos no Oriente Médio. Além disso, Rússia e China - membros com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU - têm constantemente protegido a Síria de sanções internacionais.

'Ato hostil'

O vice-premiê turco, Bulent Arinc, disse que o abate do jato na Síria foi um "ato hostil da mais alta ordem".

As tensões bilaterais aumentaram na segunda-feira, quando a Turquia acusou o país vizinho de derrubar também um avião de resgate,

Ancara alega que o avião abatido no final de semana entrou em espaço aéreo sírio por engano, mas voltou rapidamente a sua rota e estava 1,6 km dentro do espaço aéreo internacional quando foi alvejado.

A Síria, por sua vez, disse que não sabia que o avião era turco e que estava protegendo seu espaço aéreo contra um aparente invasor desconhecido.

Mas, em sua carta à ONU, a Turquia diz ter interceptado comunicações de rádio mostrando que unidades sírias estavam cientes de que se tratava de um avião turco.

As relações entre os dois países já vinham se deteriorando - o governo turco tem sido um dos mais fortes críticos à repressão síria às manifestações contra o regime do país árabe. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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