REUTERS/Massimo Pinca
REUTERS/Massimo Pinca

Em meio ao trauma das famílias das vítimas, ponte será demolida em Gênova

Trecho de 200 metros da Ponte Morandi caiu no dia 14 de agosto bem na hora de maior movimento do tráfego na cidade italiana matando 43 pessoas

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2019 | 16h35

GÊNOVA - Egle Possetti tem de desviar seu olhar quando passa de carro perto do que restou da ponte em Gênova que caiu no ano passado. Ela simplesmente não pode olhar para o lugar onde sua irmã foi morta com toda sua família

A seção de 200 metros da Ponte Morandi, parte da rodovia que liga a cidade portuária italiana ao sul da França, caiu no dia 14 de agosto bem na hora de maior movimento do tráfego, levando dezenas de veículos a despencar em queda livre, matando 43 pessoas

Nesta sexta-feira, 8, seis meses depois, construtores começarão a demolir as partes restantes da ponte antes de sua reconstrução. 

Para Possetti, de 53 anos, apenas olhar para o que restou é demais. "Para nós, ver essa estrutura quebrada em duas toda a vez que passamos por aqui é realmente terrível. E pensar que ali 43 pessoas perderam suas vidas, mais do que qualquer outra coisa, quase todos eles eram jovens", disse à agência Reuters

Sua irmã, Claudia, o marido Andrea e as crianças Camilla, de 16 anos, e Manuele, de 12, foram mortos. Eles estavam viajando para um resort ao leste de Gênova para passar o feriado do dia seguinte. Possetti começou a temer pelo pior quando tentou falar com eles e ninguém atendeu ao celular. 

"Cada minuto da sua vida você pensa nisso. Você pode até rir, dar um sorriso, mas você está morta por dentro", relatou Possetti, enquanto tenta evitar olhar para as ruínas. 

Possetti pertence hoje a um comitê que pressiona deputados italianos a acelerar as investigações judiciais sobre tragédias como a do colapso da ponte. 

Seu desespero é compartilhado com Giovanna Donato, cujo filho Cesare, de 11 anos, perdeu o pai, também chamado Andrea, de quem ela estava separada. 

"Eu gostaria que moralmente permanecesse um símbolo, não vamos esquecer que a ponte caiu e pessoas morreram. Isso não deveria ter acontecido", disse Giovanna, de 42 anos. 

O prefeito de Gênova e comissário especial para a reconstrução da ponte, Marco Bucci, disse estar satisfeito com o  processo de reconstrução até agora. 

"Desde daquela tarde de 14 de agosto, quando nós ficamos conscientes da tragédia, nós arregaçamos as mangas e começamos a trabalhar imediatamente. A cidade inteira fez o mesmo", disse ele. "Toda vez que um segmento da ponte for demolido ou reconstruído nós provamos aos cidadãos que esse é o jeito que as coisas devem ser feitas." 

Após o colapso da ponte, o governo italiano culpou a operadora Autostrade per l'Italia pela manutenção pobre do viaduto e ameaçou revogar a concessão do grupo. Autostrade nega ter qualquer culpa no desastre. 

O contrato de reconstrução  foi concedido ao maior construtor italiano, Salini Impregilo, e ao construtor de navios Fincantieri. A demolição e a reconstrução da nova ponte estão planejadas para durar cerca de 15 meses. / REUTERS 

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