Em meio às enchentes, doenças podem ser nova ameaça no Paquistão

Surtos de doenças apresentam novos riscos para as vítimas das piores enchentes no Paquistão em décadas e podem dificultar os já complicados esforços de ajuda, à medida que o desespero vai crescendo entre a população, disseram agências de ajuda humanitária nesta sexta-feira,.

AKHTAR SOOMRO, REUTERS

13 de agosto de 2010 | 15h18

As enchentes, causadas pelas chuvas torrenciais de monção, tomaram a bacia do rio Indo, matando mais de 1.600 pessoas, forçando dois milhões a deixarem suas casas e prejudicando cerca de 14 milhões de pessoas -- ou 8 por cento da população.

Uma crise no setor de saúde poderia trazer mais dificuldades para as agências de ajuda humanitária que já enfrentam gigantescos desafios logísticos.

A Organização das Nações Unidas está cada vez mais preocupada com doenças transmitidas pela água. Até o momento, foram registrados 36 mil casos de uma diarreia aguda e potencialmente fatal. Segundo a ONU, as enchentes afetaram aproximadamente um terço do Paquistão.

"Essa é uma preocupação recente. Portanto, estamos respondendo com todos os tipos de medicamentos preventivos e de tratamento.. para os surtos de doenças", disse Maurizio Giuliano, porta-voz da operação humanitária da ONU à Reuters.

Enchentes atingiram a província de Sindh, ao sul, a partir da província de Punjab, no noroeste do país.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve visitar o Paquistão durante o final de semana para discutir a crise.

O governo paquistanês está sobrecarregado e na defensiva depois de sua medíocre resposta a uma das piores catástrofes na história do país.

O Exército, que governou o país por mais de metade de sua história, entrou em ação.

O presidente Asif Ali Zardari acaba de começar o que parece ser um controle de danos ao visitar vítimas das enchentes. Ele recebeu pesadas críticas por ter viajado para reuniões com líderes europeus enquanto o desastre se agravava e não ter retornado ao pais. Zardari disse ter pedido ajuda internacional para as vítimas das enchentes durante sua viagem.

Apesar da queda em popularidade do governo por causa de sua posição diante do desastre, analistas rejeitam a possibilidade de os militares tomarem o poder, ou de uma queda do governo. Mas instabilidade social ainda é possível.

"Crianças estão morrendo neste exato momento por causa da falta de acesso à água potável", disse Pascal Cuttat, chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Islamabad.

Em Punjab, multidões se empurravam, competindo por mantimentos que estavam sendo distribuídos. Idosos tiravam comida de crianças. Um homem pegou, para comer,um punhado de açúcar de um saco estourado que havia caído no chão.

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