EFE/STEPHANIE LECOCQ
EFE/STEPHANIE LECOCQ

Em mensagens a deputado, Puigdemont reconhece que processo de independência ‘terminou’

Emissora Telecinco divulgou mensagens de celular do ex-governador enviadas ao ex-conselheiro de seu gabinete, Toni Colmín, captadas por uma de suas câmeras em Bruxelas; líder independentista admitiu que às vezes tem dúvidas, mas assegurou que não desistirá

O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 14h23

MADRI - O ex-governador da Catalunha, Carles Puigdemont, reconheceu que o processo independentista "terminou" e seus correligionários lhe "sacrificaram" como candidato após o "triunfo" dos planos do governo central da Espanha.

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A rede de televisão espanhola Telecinco divulgou várias mensagens de celular de Puigdemont enviadas ao deputado autônomo e ex-conselheiro do seu gabinete, Toni Comín, captadas por uma de suas câmeras em Bruxelas.

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Pouco depois, Puigdemont admitiu no Twitter que às vezes tem dúvidas, mas assegurou que não desistirá e seguirá adiante para negar que tenha chegado ao fim de sua trajetória política.

"Sou humano e há momentos em que também duvido. Também sou o líder (da Catalunha) e não me encarquilharei e nem recuarei por respeito, agradecimento e compromisso com os cidadãos e o país", escreveu Puigdemont no Twitter, sem se referir diretamente às mensagens reveladas.

Puigdemont e Comín permanecem em Bruxelas para fugir da ação da Justiça espanhola, que lhes investiga por rebelião e insurreição por estimular o processo separatista.

Na mesma rede social, Comín avisou que a divulgação de conversas privadas é "crime merecedor das pertinentes ações legais",  e ressaltou que as mensagens foram tiradas de contexto.

A emissora afirmou nesta quarta-feira, 31, que Puigdemont enviou na véspera estas mensagens a Comín, pouco depois de saber do adiamento do debate de posse no Parlamento regional.

O ex-governador, que era candidato à reeleição, pretendia ser empossado à distância, opção que tinha sido refutada pelo Tribunal Constitucional. O presidente do Parlamento, Roger Torrent, anunciou o adiamento do debate até a resolução dos diferentes recursos judiciais para essa medida.

"Voltamos a viver os últimos dias da Catalunha republicana", diz Puigdemont nas mensagens. "O plano de Moncloa (governo espanhol) triunfa, só espero que seja verdade e graças a isto possam sair todos da prisão."

Puigdemont ainda confessa a Comín que "isto terminou" e os seus companheiros o "sacrificaram". "Suponho que você tenha claro que isto terminou. Os nossos nos sacrificaram, pelo menos a mim. Vocês serão conselheiros (espero e desejo) mas eu já estou sacrificado", concluiu. 

Outro candidato

A vice-primeira-ministra espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría, pediu nesta quarta-feira ao Parlamento da Catalunha que procure um nome diferente como candidato à presidência regional em substituição a Puigdemont.

Ele era o único candidato na sessão de posse programada para terça-feira, mas que foi adiada pelo presidente da Câmara regional ante os obstáculos jurídicos para sua nomeação.

Soraya, que coordena a questão catalã no governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy, pediu a Roger Torrent que descarte o nome de Puigdemont e procure uma alternativa.

"Acredito que o senhor Torrent tem de abrir uma rodada de contatos (com os partidos políticos) para salvar a situação provocada pelo senhor Puigdemont", disse a vice-premiê espanhola.

Com a promessa de retomar o governo destituído após a frustrada declaração de independência na Catalunha, o partido de Puigdemont venceu as eleições de 21 de dezembro ao lado dos partidos independentistas que, em conjunto, conquistaram a maioria absoluta do Parlamento regional com 70 cadeiras de um total de 135.

"Não posso acreditar que entre os mais de 100 deputados da Câmara não exista ninguém que possa recuperar o caminho do diálogo e do consenso", disse ela.

Em tese, o Parlamento regional tinha até esta quarta-feira para tentar dar posse a um candidato, mas, ao adiar a sessão, o prazo ficaria congelado, de acordo com fontes parlamentares. Se o bloqueio prosseguir, novas eleições podem ser convocadas na região.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Puigdemont lamentou a decisão e acusou o Estado espanhol de fazer "a chantagem de obrigar a escolher um presidente e um governo (regionais) que o agrade". / EFE e AFP

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