Em Miami, McCain critica Obama devido a Cuba

O candidato à Presidência dosEstados Unidos John McCain, do Partido Republicano, acusou naterça-feira Barack Obama, favorito para ficar com a vaga doPartido Democrata nas eleições gerais, de desejar tornar menosrígido o embargo contra Cuba e de querer reunir-se com opresidente cubano, Raúl Castro. Tentando conquistar o apoio do eleitorado cubano-americano,que possui grande peso na Flórida (um dos principais Estados dacorrida presidencial), McCain prometeu dar continuidade aoembargo norte-americano contra Cuba até o governo comunista dailha libertar prisioneiros políticos, conceder liberdadesbásicas a sua população e marcar eleições a serem monitoradaspor entidades estrangeiras. O republicano ainda criticou Obama e a também democrataHillary Clinton, que disputa a vaga do partido deles no pleitonacional, por oporem-se ao acordo de livre comércio com aColômbia, afirmando que isso beneficia o presidente daVenezuela, Hugo Chávez, um político contrário aos EUA. Até agora, o Congresso norte-americano, atualmente lideradopelos democratas, vem se recusando a aprovar o acordo. Oslegisladores acusam o presidente colombiano, Álvaro Uribe, denão adotar as medidas necessárias para proteger líderestrabalhistas atingidos no fogo cruzado do conflito interno dequatro décadas que atinge aquele país. McCain disse que Obama e Hillary "desejam retirar-se paratrás de muros de protecionismo e minar um importante aliado docontinente". A promessa de Obama de realizar negociações, sem imporprecondições, com os líderes de países considerados hostispelos EUA, como o Irã, a Coréia do Norte, a Síria, a Venezuelae Cuba, deu a McCain a desculpa de que precisava para criticaras políticas externas defendidas pelo adversário democrata. O republicano atacou Obama, senador pelo Estado doIllinois, argumentando que um eventual encontro dele comopresidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, significariarecompensar um governo dedicado à destruição dos EUA e deIsrael. McCain comparou a postura de Obama com aquela de outrospresidentes norte-americanos, como Franklin Roosevelt naSegunda Guerra Mundial e Ronald Reagan durante a Guerra Fria. "Roosevelt não conversou com Hitler (Adolf Hitler), eReagan não conversou com Brezhnev (Leonid Brezhnev, líder daUnião Soviética) ou com os sucessores deste até que Gorbachev(Mikhail Gorbachev) mostrou-se pronto a mudar de postura.Reagan não agiu como Jimmy Carter. Carter foi até lá e beijouBrezhnev, lembram-se?" McCain, 71, ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, acusou oscubanos de participarem de sessões de tortura de alguns de seuscompanheiros de prisão em Hanói. Em um encontro realizado na Prefeitura de Miami, McCaindisse que Obama, depois de falar sobre normalizar as relaçõescom Cuba, tinha mudado de posição e passou a defender apenasuma amenização do embargo, e não mais o levantamento totaldele. Obama disse que gostaria de minorar as restriçõesexistentes para as visitas de norte-americanos a Cuba,concedendo a todos os cubano-americanos direitos ilimitados deviajar até seus familiares na ilha caribenha e de enviardinheiro para parentes que morem ali. "Ele deseja também sentar-se, sem impor condições prévias,para conversar de presidente para presidente com Raúl Castro",afirmou McCain. As pessoas presentes na cerimônia, quase todoscubano-americanos, reagiram vaiando Obama. McCain compareceu a Miami para participar das celebraçõespela independência de Cuba, em 1902. O atual governo cubanocelebra outras datas, como a da revolução comunista concluídano dia 1o de janeiro de 1959.

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