Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Em Michigan um dia após o democrata, Trump diz que governo Biden seria de 'lunáticos de esquerda'

Com a retomada de uma agenda de campanha agressiva, presidente tentou superar as revelações de que minimizou propositalmente o perigo do coronavírus no início da pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 22h48

FREELAND, EUA - Recuperando-se de outra crise criada por ele mesmo, o presidente Donald Trump tentou mudar o foco das atenções para seu rival democrata, Joe Biden, em um comício na noite desta quinta-feira, 10, em Michigan, um dos Estados-chaves dessa eleição. Um dia após a visita do democrata ao Estado, Trump tentou hoje superar as revelações de que minimizou propositalmente o perigo do coronavírus no início da pandemia, dizendo que seu adversário "montará um governo de lunáticos de extrema esquerda". 

Mas a polêmica do coronavírus, porém, não deixou o palco da campanha, à medida que o presidente vem enfrentando novas resistências de autoridades locais preocupadas com o tamanho crescente de seus comícios e o desrespeito repetido de sua equipe às diretrizes de saúde pública destinadas a conter a disseminação da covid-19. A governadora de Michigan, a democrata Gretchen Whitmer, alertou sobre o evento de hoje e disse que ele poderia tornar ainda mais difícil a recuperação do Estado. 

Trump, no entanto, deleitou-se com a multidão que o aguardava, com simpatizantes se apertando ombro a ombro em um hangar de aeroporto em Freeland, a maioria sem máscaras, para ouvi-lo e vê-lo - com o Air Force One em exibição no fundo. "Essa não é a multidão de pessoas que chegam em segundo lugar", declarou Trump entre aplausos enquanto criticava Whitmer pelas atuais restrições do Estado.

"Diga à sua governadora para abrir seu Estado!", exigiu o presidente, dizendo que o Estado estaria melhor se "tivesse um governador que soubesse o que diabos está fazendo".

Antes de deixar a Casa Branca, Trump negou ter mentido para a nação sobre o coronavírus enquanto continuava a lutar contra as consequências do novo livro do jornalista do Washington Post Bob Woodward. Em uma série de entrevistas com Woodward, o presidente falou francamente sobre os perigos representados pelo vírus - mesmo quando os minimizou publicamente - e admitiu que tentou enganar o público.

O candidato democrata, por sua vez, tenta explorar o novo episódio. "Donald Trump sabia o tempo todo o quão mortal esse vírus é", disse Biden em uma arrecadação de fundos virtual. "Ele sabia e propositalmente minimizou porque tudo o que o preocupava era sua reeleição, não queria afetar o crescimento econômico."

Mas Trump, respondendo a perguntas na Casa Branca, insistiu que "não havia mentira" em seus comentários públicos frequentemente desdenhosos e disse que estava apenas tentando projetar calma. Ele apontou as medidas que tomou, incluindo a implementação de restrições de viagem, mas disse: "Isso não significa que vou sair pulando por aí dizendo 'Pessoas vão morrer, pessoas vão morrer morrer'."

Nesta noite, Trump fez acusações infundadas a Biden e aos democratas, incluindo a de que eles queriam fechar fábricas de automóveis - apesar do trabalho do governo Obama para salvar a indústria - e "atrasar a produção da vacina" contra o coronavírus. Biden, afirmou ele, encerraria as proibições de viagens que Trump implementou, sobrecarregando o Estado "com imigrantes mal controlados de regiões jihadistas" e "refugiados de locais de terrorismo ao redor do mundo".

E ele continuou seu apelo racial aos eleitores suburbanos que se voltaram para os democratas durante as eleições de meio de mandato em 2018, alertando que sob a administração Biden, "lunáticos de extrema esquerda" seriam colocados no comando do governo federal e tribunais e subúrbios americanos seriam destruídos". "Alguém quer ter um membro da 'Antifa' como residente de seu bairro? Acho que não", declarou Trump, dizendo a seus partidários: "Seu voto vai salvar a América".

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Trump retomou uma agenda de campanha agressiva, apesar da pandemia em andamento e em meio à crescente resistência de líderes locais que expressaram alarme com sua insistência em realizar manifestações em grande escala enquanto os americanos continuam adoecendo e morrendo.

Embora as manifestações até agora tenham sido realizadas em hangares de aeroportos ao ar livre, elas atraíram milhares de apoiadores, apesar das restrições locais. E a maioria dos participantes, incluindo em Michigan, recusou-se a usar máscaras, mesmo quando era obrigatório.

Trump caracterizou os comícios como "protestos pacíficos" e a secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, disse que os participantes estavam exercendo seu direito da Primeira Emenda (de se reunir pacificamente). /AP 

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