Luis Acosta/AFP
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Em missa, pontífice pede atenção aos pobres

Servir significa, em grande parte, cuidar dos frágeis de nossa sociedade, diz Francisco em homilia na Praça da Revolução, um dos principais símbolos do regime cubano

Felipe Corazza, Enviado Especial/Havana, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 05h00

Recebido na Praça da Revolução por dezenas de milhares de cubanos e caravanas de estrangeiros para sua primeira missa na ilha, o papa Francisco aproveitou os momentos da homilia e do Angelus para pedir uma postura mais humilde a todos e cobrar que “prestem serviço” a favor dos mais necessitados.

No início da celebração, a intenção de chamar à responsabilidade aqueles que “se perguntam sempre quem é o mais importante” ficou clara na escolha da leitura, por uma fiel, de versículos do Livro da Sabedoria, parte do Velho Testamento. 

“Cerquemos o justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas ações, nos censura as faltas contra a Lei, nos acusa de faltas contra a nossa educação” foi o primeiro versículo lido. 

Na homilia que se seguiu, o líder da Igreja Católica pediu que as pessoas deixassem de lado a vontade de exercer a “onipotência” e exortou a todos a servir ao povo, sem servir-se dele. 

“Servir significa, em grande parte, cuidar dos frágeis de nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofridos, desprotegidos. Ser cristão exige cuidar da dignidade de seus irmãos.” 

Em outro ponto sensível da homilia, Francisco deixou clara sua intenção principal ao viajar a Cuba e também de suas ações no pontificado. “Serviço nunca é ideológico. Não servimos a ideias, servimos a pessoas.”

O presidente cubano, Raúl Castro, estava na primeira fila da cerimônia. O papa prosseguiu pedindo, então, que todos se responsabilizassem por cuidar dos “rostos sofridos e desprotegidos” e das pessoas em situação de maior fragilidade, como doentes, detentos e despossuídos. “A importância de uma pessoa passa sempre pelo tanto que servem a seus irmãos fragilizados”, afirmou o pontífice.

Encerrando aquele momento da celebração, o papa elogiou o povo cubano - “um povo que anda com esperança porque sua vocação é grande” - e concluiu: “Quem não vive para servir, não serve para viver”.

Falando em nome de cubanos “católicos, de outras crenças ou não crentes, o arcebispo de Havana, Jaime Ortega, agradeceu ao papa durante a missa por sua visita e por trazer “novos ares de esperança” à ilha. “Obrigado, Santo Padre, por haver promovido o processo de renovação nas relações entre Cuba e os Estados Unidos, que tanto beneficiará nosso povo.” 

Compromissos. À tarde, o papa prosseguiu com a agenda oficial da visita a Cuba. O pontífice foi ao Palácio da Revolução, onde teve novo encontro com o presidente Raúl Castro e outras autoridades do país. Após a saudação oficial, o papa participou de um encontro com líderes paroquiais e outros convidados católicos na Catedral de Havana. 

Falando aos sacerdotes, Francisco foi duro ao dizer que não se pode tratar a igreja como “uma companhia de seguros espirituais que administro” e é preciso se despir dos bens materiais para seguir a doutrina de Cristo. “Nossa Santa Mãe Igreja é pobre. Deus a quer pobre, como quis pobre a nossa santa mãe, Maria.”

Nesta segunda (21), o papa embarcará de manhã para a cidade de Holguín, município mais próximo da base naval americana de Guantánamo, onde rezará mais uma missa e fará uma peregrinação à Loma de la Cruz, pequena montanha onde o frei Francisco Antonio de Alegría instalou, em 1790, uma cruz para abençoar a região. Em seguida, ainda no fim da tarde, o pontífice viajara para Santiago de Cuba. 

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