AP Photo/Alessandra Tarantino
AP Photo/Alessandra Tarantino

Em missa de Natal, papa pede o fim da guerra na Síria

Pontífice lembrou de outros conflitos pelo mundo e parabenizou a Colômbia pelo acordo de paz com as Farc

O Estado de S. Paulo

25 Dezembro 2016 | 17h12

VATICANO - O papa Francisco fez um apelo neste domingo, 25, pelo fim da guerra na Síria e uma "nova página na história" entre Israel e palestinos, durante sua mensagem de Natal. "É tempo de as armas se calarem definitivamente e da comunidade internacional se aplicar ativamente para alcançar uma solução negociada na Síria", declarou na Praça São Pedro do Vaticano.

Na Síria, o regime de Bashar Assad, apoiado pela Rússia, acaba de recuperar o controle de Alepo. "Muito sangue foi derramado. Sobretudo na cidade de Alepo, palco nas últimas semanas de uma das batalhas mais atrozes", afirmou o pontífice sobre a guerra que já dura cinco anos. "É mais do que nunca urgente que a ajuda e reconforto sejam garantidos à população civil."

A comunidade católica de Alepo celebra neste domingo a primeira missa em cinco anos na Catedral Maronita de Santo Elias, na parte antiga da cidade. Um pequeno grupo de pessoas decidiu limpar o local e instalar um presépio. "Nós todos temos lembranças desta igreja, aqui celebramos nossas festas e alegrias. Queremos transformar os escombros em algo bonito", disse Bachir Badaoui.

Além do fim do conflito sírio, o papa fez outros apelos. Diante de dezenas de milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, Francisco disse esperar "a paz" na Terra Santa. "Que israelenses e palestinos tenham coragem e a determinação de escrever uma nova página da história, onde o ódio e a vingança deem lugar à vontade de construir juntos um futuro de compreensão recíproca e de harmonia", acrescentou.

Em Belém, lugar onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus Cristo, cerca de 2.500 fiéis palestinos e estrangeiros lotaram a Basílica da Natividade para a missa do Galo à meia-noite. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e outros dignitários palestinos estavam presentes.

O soberano pontífice também pediu uma "paz restaurada" no Iraque, Líbia e Iêmen, "onde as pessoas sofrem com a guerra e atos terroristas atrozes". "Paz aos homens e mulheres de diferentes regiões da África, especialmente na Nigéria, onde o terrorismo fundamentalista também explora crianças para perpetrar a morte e horror", denunciou o pontífice argentino.

Latina. O papa também pediu "valentia" à "amada Venezuela", país mergulhado em uma profunda crise política, para acabar "com as tensões atuais". E na mesma mensagem, felicitou a Colômbia por "um novo e valente caminho de diálogo e reconciliação", em referência às negociações de paz com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Finalmente, Francisco desejou "paz" para todos aqueles que "perderam um ente querido devido a atos terroristas", e lembrou o atentado de segunda-feira 19, quando um caminhão deixou doze mortos em um mercado de Natal em Berlim. O autor do ataque, um tunisiano, foi morto pela polícia na sexta-feira em Milão, na Itália.

Homenagens. Moradores e turistas em Berlim acendem velas e depositam flores no local do ataque. Em Milão, a polícia ocupa a praça que abriga um pequeno mercado de Natal, cujo acesso está sendo protegido por blocos de concreto desde o ataque de Berlim. /AFP

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