Em missa de Páscoa, papa faz apelo por paz no mundo

Pontífice rezou pelo Iraque, Síria e pela situação das Coreias

José Maria Mayrink, de O Estado de S. Paulo,

31 de março de 2013 | 09h25

O papa Francisco foi direto ao foco dos conflitos e guerras, ao pedir a paz para o mundo, em sua mensagem de Páscoa, lida do balcão principal da Basílica de São Pedro, após a missa que celebrou neste domingo, 31, para a multidão que lotou a Praça de São Pedro, no Vaticano.

Francisco voltou a mostrar sua preocupação com a violência no Oriente Médio, destaque na meditação da Via Sacra que presidiu, Sexta-Feira da Paixão, no Coliseu. O papa lembrou o sofrimento e as angústias dos libaneses, israelenses, palestinos, iraquianos e sírios que enfrentam a violência sem perspectiva de paz.

O papa pediu orações, de modo especial, pelo Iraque e "sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto". Angustiado, Francisco perguntou: "Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar, antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise?"

Ao se referir à situação de violência no continente africano, o papa mencionou a instabilidade do Mali, os atentados na Nigéria, onde muitas pessoas, incluindo crianças são mantidas como reféns por grupos terroristas, e pediu paz para o leste da República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, "onde muitos se vêem forçados a deixar suas casas e vivem ainda no medo".

Ásia

Passando à Ásia, o papa Francisco pediu sobretudo pela península coreana, englobando as duas Coreias, "para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação".

Depois, estendeu seus anseios de paz "para o mundo todo ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família - um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século 21".

Ao anunciar que Cristo ressuscitou, o papa argentino Bergoglio, eleito dia 13 como sucessor de Bento XVI, disse que gostaria que essa "grande alegria", chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente, aonde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões..."

Ao final da missa, Francisco percorreu a Praça de São Pedro no papamóvel, um jipe aberto protegido por segurança reforçada, cumprimentando e abençoando a multidão. Beijou várias crianças de colo que os pais lhe apresentaram e abraçou, rosto no rosto, duas crianças aparentemente portadoras de paralisia cerebral.

Entre centenas de bandeiras, sobressaíam mais do que nas últimas celebrações as da Argentina, levantadas por grupos de peregrinos entusiasmados. Mais de 250 mil pessoas, segundo a Rádio Vaticano, lotaram a Praça de São Pedro, Via della Conciliazione e ruas vizinhas.

A cerimônia encerrou-se às 12h10 (horário italiano de verão, 7h10 no Brasil) com a bênção Urbi et Orbi (à Cidade de Roma e ao mundo). Bandas da Guarda Suíça e das Forças Armadas da Itália saudaram o papa com a execução de trechos do Hino Pontifício e do Hino da Itália.

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