Em missão da ONU, brasileiro visita maior prisão de Mianmar

Paulo Sérgio Pinheiro, enviado especial de direitos humanos, procura dois líderes dos protestos de agosto

Reuters,

12 de novembro de 2007 | 11h55

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, enviado especial da ONU para questões de direitos humanos, visitou nesta segunda-feira, 12, a principal prisão de Rangum, a Insein, para tentar encontrar Min Ko Naing e Ko Ko Gyi, dois dos líderes dos protestos de agosto contra o aumento dos combustíveis, segundo informação de um diplomata. Pinheiro, que é professor de Direito, faz sua primeira visita a Mianmar em quatro anos. Ele também foi ao monastério budista de Ngwekyaryan, um dos locais invadidos pelos militares em setembro, durante a violenta repressão às manifestações lideradas por monges.  A imprensa oficial diz que 2.927 pessoas foram presas durante aqueles dias. Centenas de monges budistas estão entre os detidos.  Oficialmente, houve dez mortos nas manifestações, mas os jornais do governo dizem que não houve vítimas fatais entre os monges. Religiosos dizem, porém, que cinco monges foram assassinados durante as invasões dos mosteiros.  Apareceram na Internet várias fotos que supostamente mostram monges mortos e mutilados, embora seja impossível saber quando e onde elas foram tiradas.  A imprensa oficial diz que só restam 91 manifestantes detidos, cifra que Pinheiro deve investigar minuciosamente, assim como o número de mortos. Governos ocidentais desconfiam que tenha havido muito mais vítimas fatais.  Parentes de presos políticos, vários dos quais participaram da outra grande onda de manifestações contra o regime, em 1988, dizem que as condições na penitenciária Insein melhoraram às vésperas da visita de Pinheiro. "Fomos autorizados a mandar coisas para eles. Tivemos uma chance de saber sobre seu estado de saúde. É a primeira vez desde que eles foram presos, em agosto", disse um parente de manifestante à Reuters.  Não se sabe se Pinheiro efetivamente conseguiu acesso às pessoas que queria ver na prisão. Na terça-feira, ele viaja a Naypyidaw, a nova capital construída pela Junta Militar no meio da selva.  No passado, Pinheiro tinha acesso a todos os presos políticos que desejasse. Mas, há quatro anos, saiu correndo de uma conversa com um detento em Insein ao descobrir que havia um gravador escondido sob a mesa.  Antes da repressão de setembro, a Anistia Internacional estimava que a junta conservasse cerca de mil presos políticos, inclusive a líder oposicionista Aun San Suu Kyi, mantida sob prisão domiciliar durante 12 dos últimos 18 anos.

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