Em Montreal, propina chega a 2,5% do valor dos contratos

De acordo com o ex-dono de uma construtora, outros 3% eram pagos para a máfia italiana que atua na cidade

MONTREAL, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2012 | 02h04

A primeira vítima da Comissão Charbonneau foi Gérald Tremblay, prefeito de Montreal, a maior e mais importante cidade da província. Na semana passada, ele anunciou que deixaria o cargo que ocupava havia 11 anos e se retirava definitivamente da vida pública.

Tremblay não resistiu a dois depoimentos da Comissão Charbonneau. No primeiro, Lino Zambito, ex-dono de construtora, afirmou sob juramento que o partido do prefeito, a União Montreal, recebia em propina 2,5% do valor dos contratos de construção. Além disso, Zambito contou que, para conseguir contratos em Montreal, sua empresa tinha de pagar, em dinheiro, 3% do valor ganho para a máfia italiana que atua na cidade.

A situação ficou insustentável para o prefeito de Montreal semanas depois. Na mesma comissão, Martin Dumont, seu ex-conselheiro e organizador político, afirmou que Tremblay sabia da existência de um caixa dois alimentado com dinheiro recebido das construtoras.

Para o espanto de todos da comissão, Dumont contou que, em uma eleição realizada em 2004, o cofre-forte da sede do partido estava tão cheio de dinheiro que a porta mal fechava.

A polícia já havia prendido, em maio, Frank Zampino, ex-diretor executivo da cidade, Bernard Trépanier, responsável pelas finanças do partido do prefito, Martial Fillion, ex-diretor-geral da Sociedade de Habitação e Desenvolvimento de Montreal (SHDM), e Paolo Catania, dono de construtora que, além de ter contratos milionários com a prefeitura, tinha livre acesso ao alto escalão da máfia italiana de Montreal.

Embora Zampino, Trépanier e Fillion sejam homens de confiança do prefeito de Montreal, Tremblay repetiu inúmeras vezes que nunca soube de nenhum esquema de corrupção envolvendo sua administração.

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