Em Moscou, Obama exalta ''Rússia forte''

Após encontrar Putin, presidente alivia tensões e diz que ex-inimigos ?têm interesses globais comuns?; Washington quer apoio contra o Irã

Peter Baker e Clifford J. Levy, THE NEW YORK TIMES, MOSCOU, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2009 | 00h00

O presidente dos EUA, Barack Obama, reafirmou ontem a intenção de melhorar os laços com a Rússia ao declarar que Washington e Moscou "têm interesses comuns" na criação de um mundo próspero, livre e seguro. No entanto, ele rejeitou as queixas que envolvem o apoio americano a um escudo de defesa antimíssil no Leste Europeu e a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o leste.No discurso de encerramento de sua visita de dois dias ao país, Obama assegurou que "os EUA querem uma Rússia próspera, pacífica e forte". Ele ainda defendeu que a Rússia se junte aos EUA para reprimir potências nucleares emergentes, como o Irã, e ajude a promover mais liberdade para os iranianos. "Os EUA não são, absolutamente, perfeitos", disse Obama em discurso na Escola da Nova Economia, criada após o colapso da União Soviética com o fim de implementar teorias econômicas de mercado na Rússia. "Mas temos compromisso com certos valores universais que nos permite corrigir nossas imperfeições, melhorar constantemente e ficarmos cada vez mais fortes." Obama acrescentou: "Se a democracia dos EUA não promovesse esses direitos, eu - como alguém de ascendência africana - não poderia me dirigir a vocês como um cidadão americano, muito menos como um presidente." Obama discursou um dia depois de assinar um acordo preliminar com o presidente russo, Dimitri Medvedev, para redução, em pelo menos um quarto, dos arsenais nucleares estratégicos dos dois países. O líder dos EUA visitou Moscou esperando revitalizar as relações com o Kremlin, desgastadas durante o governo de George W. Bush. Além do acordo sobre armas nucleares, Obama e Medvedev firmaram um outro, por meio do qual aviões do Exército americano poderão transpor o espaço aéreo russo transportando tropas e armamentos para o Afeganistão.Os dois presidentes não chegaram a firmar um acordo comercial, como esperava o governo dos EUA, e não houve avanços quanto às divergências que existem em relação ao planos americanos de instalar o escudo de defesa antimísseis. Medvedev, contudo, disse estar contente por Obama estar de acordo que as conversações devem prosseguir, abrangendo armas defensivas e ofensivas. O presidente americano também se mostrou satisfeito com o fato de que seu colega russo aceitou examinar em conjunto a ameaça nuclear iraniana. O discurso de Obama na escola de economia (mais informações nesta página) teve como objetivo acabar com antigos ressentimentos russos contra os EUA, que, para muitos, ainda querem dominar a Rússia, interferir nos seus assuntos domésticos e aumentar sua influência na região. Obama não procurou ocultar as divergências políticas e afirmou que a Rússia não deve temer as intenções americanas. "Nem os EUA nem a Rússia se beneficiarão de uma corrida armamentista nuclear no leste da Ásia ou no Oriente Médio", disse ele. "É por isso que temos de nos unir na oposição às tentativas da Coreia do Norte para tornar-se uma potência nuclear e às tentativas do Irã para produzir uma bomba atômica."REUNIÃO COM PUTINObama iniciou seu segundo dia de visitas a Moscou participando de um café da manhã com o primeiro-ministro Vladimir Putin numa reunião que ultrapassou em muito o horário estabelecido. Falando a repórteres antes do encontro, Putin observou que houve períodos de "relações conturbadas entre os dois países", aludindo às tensões dos últimos anos, que culminaram com a guerra entre Rússia e Geórgia, no ano passado. "No senhor, depositamos todas as nossas esperanças de melhora nas relações entre nossos países."

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