Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Em museu, brasileiro condena Holocausto

Apesar de declarações exaltando a defesa dos direitos humanos, Lula evita fazer referência ao Irã

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

JERUSALÉM

A dois meses de sua visita oficial ao Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que "todos os que lutam pela democracia e pelos direitos humanos não podem permitir" que uma tragédia como o Holocausto se repita.

A declaração foi feita após uma visita de cerca de uma hora ao Museu do Holocausto, em Jerusalém, pela manhã. Mas nenhuma referência à democracia e aos direitos humanos está nos planos de Lula para a conversa com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã.

"A humanidade deve repetir quantas vezes for necessário: nunca mais, nunca mais, nunca mais", afirmou. "Eu acredito que visitar o Museu do Holocausto deveria ser quase uma obrigação a todo ser humano que quer dirigir uma nação", afirmou Lula, atribuindo o Holocausto à "irracionalidade".

O governo Lula, porém, já deu um sinal claro de sua indisposição de afrontar a política do governo de Teerã para a área de direitos humanos. No final do ano passado, o Brasil absteve-se de votar uma condenação ao Irã no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Em relação a Cuba, as seguidas abstenções do Brasil em votações da entidade somaram-se à comparação feita por Lula entre os dissidentes políticos cubanos e os "bandidos" das prisões paulistas.

"Penso que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem liberdade", disse o presidente há pouco mais de uma semana.

Em novembro, durante a visita de Ahmadinejad ao Brasil, o próprio Lula disse ter aconselhado o presidente iraniano a deixar de fazer declarações negando que o Holocausto tenha ocorrido e defendendo que Israel deveria ser "varrido do mapa".

Ele não chegou a falar, porém, na repressão violenta das manifestações da oposição iraniana após as eleições de junho - denunciadas como fraudulentas por esses opositores.

Distância de jornalistas. Durante a jornada de ontem, a Presidência brasileira cancelou uma entrevista coletiva e evitou o contato com jornalistas. Pela manhã, Lula cumpriu o protocolo - além de visitar o Museu do Holocausto, plantou uma oliveira no Bosque de Jerusalém.

Ao final de seu percurso de quase uma hora no museu, Lula participou da cerimônia da Chama Eterna, na Tenda da Memória, em cujo piso estão registrados os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das valas onde judeus foram fuzilados e enterrados.

Ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, ele percorreu o complexo, que reconta a perseguição e o extermínio dos judeus pelo regime nazista.

No Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240 mil árvores, Lula observou que a Amazônia Legal é dezenas de vezes maior que o território de Israel, mas esse país aproveita cada espaço disponível para o plantio.

Logo depois de plantar a oliveira, com a ajuda da primeira-dama, Marisa Letícia, Lula comentou que, em cinco anos ou mais, um filho ou neto seu poderia sentar-se debaixo daquela árvore e colher e preparar as azeitonas. "Tenho certeza de que eles não vão morrer de fome", disse o presidente brasileiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.