REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
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Em nota, Itamaraty pede 'apuração de responsabilidades' por agressão a deputados venezuelanos

Na quinta-feira, políticos oposicionistas foram agredidos enquanto protestavam para exigir uma resposta da Justiça Eleitoral sobre o processo de referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro

Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

10 Junho 2016 | 11h11

BRASÍLIA - As agressões sofridas por deputados oposicionistas na Venezuela, supostamente por apoiadores do presidente Nicolás Maduro, “reclamam efetiva apuração de responsabilidades e dificultam o diálogo que se faz necessário entre governo e oposição para assegurar a plena observância do Estado de Direito”, informa a nota divulgada no final da noite de quinta-feira pelo Itamaraty.

O incidente poderá fortalecer a posição do governo do Paraguai, que pede a aplicação da cláusula democrática contra a Venezuela - o que pode resultar em sua suspensão do Mercosul.

Durante sua visita ao Brasil, na quarta-feira, o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, discutiu com o ministro das Relações Exteriores, José Serra, medidas a serem adotadas para ajudar a conter a crise na Venezuela. Em discurso, ambos falaram sobre direitos humanos e Estado Democrático de Direito.

Segundo fontes, a cláusula democrática foi a alternativa mais forte na análise, mas há dúvidas se a proposta será adotada, uma vez que ela precisa ser aprovada por todos os países da América do Sul, exceto Suriname e Guiana. Episódios como o ocorrido na quinta-feira em Caracas ajudam a configurar o desrespeito à democracia.

A situação na Venezuela preocupa o governo brasileiro, inclusive, porque o país será o próximo a presidir o Mercosul, pelo sistema de rodízio em vigor no bloco. Isso ocorreria a partir da próxima reunião de cúpula, agendada para 2 de julho, em Montevidéu. 

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