AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
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Em nota, Dilma critica decisão do Mercosul de suspender a Venezuela

Ex-presidente afirma que medida 'compromete a convivência entre as nações da América do Sul'; Caracas protestou contra ação do bloco

O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2016 | 13h42

BRASÍLIA - A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou neste sábado, 3, uma nota criticando a decisão do Mercosul de suspender a Venezuela. Segundo a petista, a medida, anunciada pelos governo de Brasil, Argentina e Paraguai, é um "um ato e precedente perigoso e irresponsável pois compromete a convivência entre as nações da América do Sul". 

A Venezuela foi suspensa, segundo decisão do bloco, por não cumprir os requisitos necessários para fazer parte do Mercosul. O governo de Nicolás Maduro protestou contra a decisão e afirmou que seguirá participando de todas as reuniões do grupo. 

"A Venezuela não reconhece esse ato írrito sustentado na Lei da Selva de alguns funcionários que estão destruindo o Mercosul", escreveu a chanceler Delcy Rodríguez em sua conta no Twitter após o anúncio do bloco.

Para Dilma, a suspensão é um recurso extremo e inadequado. "Só faz política externa com porrete e ameaças um país imperial. Nação democrática tampouco desrespeita a soberania de um país-irmão."

Leia a íntegra:

A decisão de suspender a Venezuela do Mercosul, anunciada pelos governos do Brasil, Argentina e Paraguai, é um ato e precedente perigoso e irresponsável pois compromete a convivência entre as nações da América do Sul. 

Só faz política externa com porrete e ameaças um país imperial. Nação democrática tampouco desrespeita a soberania de um país-irmão.

A justificativa para a retaliação é inconsequente porque dos 41 acordos dos quais é exigida a adesão da Venezuela, o próprio Brasil não ratificou pelo menos cinco deles. Outros países do Mercosul também não adotaram algumas dessas normativas.

A suspensão é um recurso extremo e inadequado. No entanto, não se pode esperar muito do governo ilegítimo que usurpou o meu mandato por meio de um golpe parlamentar travestido de impeachment. 

A medida mostra a pequenez do governo do Brasil diante das exigências da América Latina.

 

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