Em nota, ex-espião acusa Putin por seu envenenamento

Morto na noite desta quinta-feira, o ex-espião da KGB Alexander Litvinenko ditou a amigos uma carta acusando o presidente russo, Vladimir Putin, por seu assassinato. A declaração foi lida na manhã de sexta-feira por Alexander Goldfarb, que disse que Litvinenko a elaborou no dia 21 de novembro e a assinou na presença de sua esposa. "Gostaria de agradecer a muitas pessoas. Meus médicos, enfermeiras e os funcionários hospitalares por estarem fazendo tudo que podem por mim. À polícia britânica que está investigando meu caso com vigor e profissionalismo e está zelando por mim e por minha família. "Gostaria de agradecer ao governo britânico por me tomar sob seus cuidados. Tenho a honra de ser cidadão britânico. Gostaria de agradecer ao público britânico por suas mensagens de apoio e pelo interesse que demonstraram em minhas aflições. "Agradeço a minha esposa Marina, que ficou ao meu lado. Meu amor por ela e por nossos filhos não tem limites. "Mas enquanto estou aqui deitado, posso ouvir distintamente o ruflar das asas do anjo da morte. Posso tentar escapar da sua perseguição, mas devo dizer que minhas pernas não correm tão rápido quanto eu gostaria. "Acho, portanto, que este pode ser o momento de dizer uma ou duas coisas para a pessoa responsável por minha presente enfermidade. "Você pode ter sucesso em me silenciar, mas esse silêncio tem um preço. Você se mostrou tão bárbaro e impiedoso quanto seus críticos mais hostis têm declarado que é. Você mostrou não ter nenhum respeito pela vida, liberdade ou qualquer valor civilizado. Você se mostrou indigno do seu cargo, indigno da confiança de homens e mulheres civilizados. "Você pode ter sucesso em silenciar um homem. Mas um clamor de protesto de todo o mundo reverberará, Sr. Putin, em seus ouvidos pelo resto de sua vida. "Possa Deus perdoá-lo pelo que fez, não somente a mim, mas à amada Rússia e seu povo. "Assinado, Alexander Litvinen."

Agencia Estado,

24 Novembro 2006 | 18h11

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