Em nota, governo brasileiro pede cessar-fogo na Líbia

Itamaraty defende o fim dos conflitos na nação africana 'no mais breve prazo possível'

Lisandra Paraguassu, da Agência Estado

21 de março de 2011 | 19h46

BRASÍLIA - O Ministério de Relações Exteriores brasileiro expressou nesta segunda-feira, 21, sua "expectativa pelo fim dos ataques na Líbia no mais breve prazo possível" para que a integridade da população civil seja garantida e haja abertura para negociação e diálogo e pediu um "cessar-fogo".

 

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A nota foi publicada pelo Itamaraty depois de uma análise do chanceler Antonio Patriota e da presidente Dilma Rousseff que durou quase toda a tarde. A decisão de divulgá-la estava tomada desde o período da manhã, pouco depois da partida do presidente dos EUA, Barack Obama, que embarcou do Rio de Janeiro para o Chile. No entanto, o tom da nota foi suavizado.

 

O texto divulgado no início desta noite não condena a ação das forças ocidentais nos ataques à Líbia, mas "reitera sua solidariedade com o povo líbio na busca de uma maior participação na definição do futuro político do país, em um ambiente de proteção dos direitos humanos". Além disso, reforça o apoio às missões de negociação enviadas ao país, a primeira liderada pelo ex-chanceler jordaniano Abdelilah al-Khatib, enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), e um grupo de presidentes da União Africana.

 

O Brasil foi o último dos países do grupo Brics a se manifestar. Desde o início dos ataques, Rússia, Índia e China já haviam colocado suas posições sobre o tema, semelhantes à brasileira. Da mesma forma, a Turquia e a Liga Árabe registraram sua oposição, mas de forma mais contundente que o Brasil. Envolvida com a visita do presidente americano, apenas nesta segunda a presidente Dilma Rousseff tratou da nota com o Itamaraty.

 

Na votação da sexta-feira, apenas Brasil, Rússia, Índia, China e Alemanha se abstiveram de votar a favor da imposição da resolução que previa a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia e o uso de todos os meios para defender os civis líbios. Os outros dez membros do Conselho de Segurança - EUA, França, Reino Unido, Líbano, Bósnia, Nigéria, Gabão, Portugal, África do Sul e Colômbia - aprovaram o texto.

 

Os ataques da coalizão internacional - formada por EUA, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Qatar, Noruega, Bélgica, Dinamarca e Espanha - começaram no sábado. O governo líbio declarou um cessar-fogo, mas os ataques das forças de Kadafi contra os rebeldes que querem derrubá-lo continuam. O ditador está no poder há 41 anos.

 

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