(Stefani Reynolds/The New York Times)
(Stefani Reynolds/The New York Times)

Em nova cúpula, Biden e europeus esperam que Brasil entre em esforço contra emissão de metano

No encontro, o americano e a União Europeia devem anunciar o compromisso conjunto de cortar em 30% as emissões de gás metano até 2030 e cobrar que os demais países se juntem em uma "promessa global" na mesma linha

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 19h52

WASHINGTON  - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, irá realizar uma nova conferência de líderes sobre mudanças climáticas, nesta sexta-feira. No encontro, o americano e a União Europeia devem anunciar o compromisso conjunto de cortar em 30% as emissões de gás metano até 2030 e cobrar que os demais países se juntem em uma "promessa global" na mesma linha. O Brasil é um dos convidados para o evento e deve ser pressionado a aderir a um comprometimento de redução nas emissões do gás de efeito estufa.

Um documento revelado pela agência Reuters aponta que americanos e europeus querem a adesão de uma lista específica de países, na qual o Brasil se encontra, à meta de redução de emissões de metano. China, Rússia, Índia, Arábia Saudita e outros também estão na lista dos europeus e americanos.

"Gostaria de enfatizar que é uma meta global coletiva para reduzir significativamente as emissões de metano", afirmou uma fonte do alto escalão do governo, em teleconferência com jornalistas, ao ser questionada sobre o acordo com a UE. O governo Biden tem voltado suas atenções ao gás metano e planeja colocar o tema em foco nesta sexta, com menções ao último relatório do IPCC. O painel climático da ONU alertou que a Terra vai atingir 1,5ºC acima do nível pré-industrial já na década de 2030, dez anos antes do esperado. O relatório aponta a relevância das emissões de metano -- e não só de dióxido de carbono -- para o aquecimento global. 

"As últimas descobertas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas divulgadas no mês passado e um ciclo acelerado de desastres causados pelo clima em todo o mundo ressaltaram a urgência de intensificar dramaticamente as ações nesta década para manter a meta de 1,5 grau ao alcance", disse a Casa Branca, em um comunicado público sobre a reunião.

O encontro acontecerá na véspera da semana da Assembleia Geral da ONU, na qual parte dos líderes estará em Nova York, e seis semanas antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021, chamada de COP-26. Biden quer reunir os líderes que já encontrou virtualmente em abril. A lista de confirmados ainda não foi divulgada.

Retorno às negociações

Nos bastidores, integrantes do governo dizem que Biden quer uma "conversa franca sobre o que mais precisa acontecer" antes da COP, marcada para novembro em Glasgow, e novamente vai pressionar os países por "planos concretos e metas ambiciosas". "Esta é uma oportunidade para os países falarem sobre o que estão fazendo na redução de emissões", afirmou.

A reunião será a portas fechadas, diferentemente da cúpula de abril, que teve transmissão ao vivo pela internet. Novamente, o encontro será virtual.  

Em abril, antes da primeira conferência sobre o tema, a Casa Branca pressionou o governo brasileiro a apresentar metas concretas de redução de emissões de gases e comprometimento com a preservação da Amazônia. Desde então, o diálogo entre os governos brasileiro e americano na questão ambiental esfriou. Em junho, o diálogo entre os dois países foi paralisado, em meio às investigações da Polícia Federal a respeito do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Demissão de Salles fortalece diálogo

Há pouco mais de duas semanas, os dois países retomaram as conversas. Jonathan Pershing, assessor do enviado especial para o clima do governo Biden, John Kerry, fez uma reunião com integrantes do Itamaraty e do Ministério do Meio Ambiente. No governo brasileiro, a ligação foi entendida como a reconstrução da ponte com os americanos em meio às negociações prévias à COP. Antes disso, no fim de julho, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, se reuniu com Kerry.

A demissão de Salles, que era visto pelos EUA como um expoente de uma política ambiental que gerou o aumento nas queimadas da Amazônia, ajudou a distensionar a relação. Os americanos, no entanto, esperam que o Brasil indique nos encontros multilaterais daqui até a COP-26 como os anúncios feitos por Bolsonaro em abril têm sido implementados.

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