AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
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Em nova rodada de sanções, EUA punem irmão de Chávez e mais sete pessoas

Fontes do governo americano ainda não descartam punições contra o setor de petróleo venezuelano, que tem nos EUA seu principal cliente

O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 14h18

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos aplicou nesta quarta-feira, 9, uma nova rodada de sanções contra membros do governo da Venezuela, 10 dias depois da eleição da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) no país. Desta vez, 8 pessoas tiveram ativos nos EUA congelados e foram proibidas de entrar no país, entre elas Adán Chávez, irmão do ex-presidente Hugo Chávez. Além disso, empresas americanas não poderão fechar negócios com os chavistas punidos. 

Fazem parte da lista também, entre outros, o deputado chavista Darío Vivas e o advogado Hermann Escarrá, um dos ideólogos da ANC. Ainda na lista de sanções financeiras estão os chavistas Francisco Ameliach, Erika del Valle, Carmen Meléndez, Tania D’Amelio e Bladimir Lugo. 

 

Desde o agravamento da crise política no país, em abril, já foram alvos de punições a cúpula do Judiciário, que é leal ao chavismo, e assessores próximos do presidente Nicolás Maduro, como o vice-presidente Tareck El Aissami - que teve US$ 500 milhões em ativos congelados - e os ex-chanceleres Delcy Rodríguez e Elías Jaua, além do próprio líder bolivariano.

"O presidente Maduro instalou esta Assembleia Constituinte ilegítima para ampliar ainda mais sua ditadura e continua estreitando seu controle sobre o país", afirmou o secretário do Tesouro americano Steven Mnuchin. "O desprezo do regime pela vontade do povo é inaceitável. Os Estados Unidos apoiam a oposição à tirania."

Adán Chávez foi nomeado secretário da Constituinte e é o nome mais conhecido dos chavistas incluídos na nova rodada de sanções. Médico de 64 anos, ele foi ministro da Cultura e governou seu Estado natal de Barinas por quase dez anos.

As sanções marcam uma resposta mais agressiva dos Estados Unidos à radicalização do regime chavista, que na semana passada instalou a Constituinte e subordinou todas as funções do Estado a si por ao menos dois anos.  

Fontes do governo americano ainda não descartam punições contra o setor de petróleo venezuelano, que tem nos EUA seu principal cliente. Na avaliação do Departamento do Tesouro, todos os sancionados têm se envolvido em políticas que prejudicam o processo democrático e institucional na Venezuela. 

Sanções contra outras figuras da cúpula chavista ainda estão em estudo, especialmente nos casos do homem-forte do chavismo, Diosdado Cabello, e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que comanda as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB). 

Analistas dizem que dificilmente punições individuais terão impacto sobre as políticas de Maduro. Os EUA hesitam em decidir sobre sanções econômicas em virtude do impacto que elas teriam para a população, já severamente afetada pela escassez de alimentos e remédios, e pela falta de consenso regional para a sua aplicação.  / AP, REUTERS e AFP

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