Frank Franklin II/AP
Frank Franklin II/AP

Em Nova York, Times Square se esvazia na véspera do Ano Novo

Polícia permitirá que apenas algumas dezenas de pessoas participem de celebração

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2020 | 18h15

NOVA YORK - Apenas um punhado de convidados, incluindo profissionais de saúde e outros da linha de frente da pandemia do coronavírus, se reunirão na noite desta quinta-feira, 31, na Times Square de Nova York para testemunhar o baile da véspera de Ano Novo, marcando o fim de um 2020 preocupante e um começo promissor para 2021.

Por décadas, dezenas de milhares de foliões - muitos deles turistas - encheram os quarteirões ao redor da Times Square na véspera de Ano Novo, parados por horas no frio esperando para ver uma bola de cristal brilhante deslizar por um poste montado no topo de um arranha-céu  nos segundos finais do ano. Quando a bola chega ao fundo, a multidão irrompe em abraços, beijos e boa disposição.

Mas este ano o prefeito Bill de Blasio e os policiais disseram aos nova-iorquinos e aos de fora da cidade para ficarem longe e assistirem a festividades moderadas na televisão. Um grande contingente de policiais fará barricadas na área para impedir a aglomeração de pessoas não autorizadas, com o objetivo de prevenir um evento que poderia acelerar a propagação do vírus em uma cidade que já luta para contê-lo.

Muitos eventos de véspera de Ano Novo nos Estados Unidos também foram reduzidos ou transferidos para a Internet. "Vai ser, sem dúvida, a mais especial, a mais comovente véspera de Ano Novo", disse de Blasio, que vai apertar o botão para iniciar a descida da bola de cristal, a repórteres. "Em 2021, vamos mostrar às pessoas como é se recuperar, voltar."

Algumas pessoas não entenderam a mensagem ou decidiram ir à Times Square de qualquer maneira, na esperança de ver a bola antes que a polícia começasse a limpar a praça de qualquer pessoa não autorizada a estar lá.

"É realmente triste ver uma angústia tão grande, mas eu queria estar aqui porque é minha tradição", disse Matt Wozniak, um nova-iorquino de 41 anos, explicando por que veio ao Times Square na quinta de manhã.

"Venho há muitos anos, às vezes no meio de uma grande multidão. Agora é diferente - parece diferente."

A polícia de Nova York permitirá que apenas algumas dezenas de pessoas assistam ao lançamento da bola na chamada Encruzilhada do Mundo, no centro de Manhattan. Os organizadores convidaram um trabalhador de mercearia, um porteiro de prédio, um entregador de pizza e médicos e enfermeiras, incluindo Sandra Lindsay, a enfermeira de Nova York que se tornou a primeira a receber uma vacina contra o coronavírus nos Estados Unidos mo início deste mês.

Os convidados mascarados, separados por segurança, se reunirão em frente a um palco temporário montado na praça para ver as apresentações ao vivo de Jennifer Lopez e Gloria Gaynor, que apresentará seu clássico disco I Will Survive.

Mais de 25 mil nova-iorquinos morreram de covid-19 este ano. Na primavera, durante os primeiros dias do surto nos EUA, a cidade emergiu como o epicentro da pandemia.

"Nova York é invencível - assim como o mundo é", disse Kathleen Mukameal, 62, uma nova-iorquina aposentada que agora trabalha como ativista pelo direito ao voto, durante uma passagem pela praça. "Estamos celebrando e temos muito a agradecer, apesar desta situação terrível que estamos enfrentando." /REUTERS

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