Pascal Rossignol /REUTERS
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Em novo processo, Strauss-Kahn nega conhecer acusados em caso de prostituição

Economista francês que foi chefe do FMI pode pegar até 10 anos de prisão e pagar uma multa de 1,5 milhão de euros; nova acusação afirma que ele e outros 13 operavam uma rede internacional de prostituição

O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2015 | 11h46

(Atualizada às 18h40) PARIS - O ex-presidente do Fundo Monetário Internacional (FM) Dominique Strauss-Khan negou hoje conhecer os principais acusados do processo no qual responde por pertencer a uma rede internacional de prostituição. Ele compareceu a um tribunal francês nesta segunda-feira, 2, com outros 13 acusados, entre homens e mulheres franceses e belgas, para a primeira audiência do caso. DSK, como é conhecido, foi acusado de cumplicidade na prostituição de sete mulheres de março de 2008 a 2011.

Strauss-Kahn, cuja carreira no FMI e política despencou em razão das acusações de ter abusado sexualmente de uma camareira de um hotel em Nova York, é alvo de acusações, em seu país natal, de explorar prostituição e envolver-se numa rede de prostituição operada em hotéis de luxo.

O economista francês conhecido por suas iniciais pode pegar até 10 anos de prisão e ter de pagar uma multa de 1,5 milhão de euros (US$ 1,7 milhão). O julgamento ocorre na cidade de Lille. A perspectiva é que dure três semanas. Strauss-Kahn deve testemunhar após o dia 10.

Os investigadores reuniram centenas de páginas com testemunhos de prostitutas que descreveram as orgias supostamente organizadas por DSK, de 65 anos, e pelos demais réus, realizadas no Hotel Carlton, em Lille, perto da fronteira com a Bélgica.

Strauss-Kahn admitiu ter participado de atividades "libertinas", mas afirmou que não sabia que as mulheres envolvidas eram prostitutas.

Na França, não é ilegal pagar por sexo, mas é contra a lei solicitar ou dirigir um negócio de prostituição. Centenas de repórteres trabalham na cobertura do julgamento, o que deve fazer desse um dos casos mais importantes no país nos últimos anos.

Em 2011, Strauss-Kahn foi acusado de abusar sexualmente da camareira Nafissatou Diallo, nascida na Guiné, num hotel de Nova York. Ele passou quatro dias detido em uma delegacia em Nova York. O caso pôs fim à sua carreira de sucesso. Como chefe do FMI entre 2007 e 2011, Strauss-Kahn era também considerado o principal candidato do Partido Socialista para a eleição presidencial francesa de 2012. 

Diallo disse à polícia que ele a forçou a fazer sexo oral, tentou estuprá-la e rompeu um ligamento de seu ombro depois de ela ter chegado para realizar a limpeza de seu quarto, numa suíte de luxo do Hotel Sofitel, em maio de 2011.

Strauss-Kahn foi forçado a deixar o cargo no FMI, que lhe garantia um salário de US$ 500 mil por ano, embora os promotores de Nova York tenham abandonado o caso três meses mais tarde, porque concluíram que Diallo prejudicou sua própria credibilidade ao mentir sobre fatos de sua vida e por ter alterado o relato sobre o que fez logo após o suposto ataque.

Strauss-Kahn disse que o encontro sexual foi consensual e afirmou que foi uma "falha moral". Posteriormente, Diallo chegou a um acordo confidencial com Strauss-Kahn, num processo civil separado.

Assim que o caso nos Estados Unidos foi encerrado, Strauss-Kahn foi citado no chamado caso "Carlton". Ele foi detido e interrogado pela polícia francesa por 30 horas em 2012, como parte de uma investigação sobre uma suposta rede de prostituição.

Prostitutas interrogadas durante a investigação disseram que entre 2009 e 2011 -- precisamente quando os líderes buscavam um diretor-gerente para o FMI como uma forma de tirar o mundo da crise financeira global -- Strauss-Kahn organizava orgias em hotéis de luxo em Paris, num restaurante da capital francesa e também em Washington.

Promotores deram início às acusações de exploração da prostituição em março de 2012. Meses depois, o casamento de mais de 20 anos de Strauss-Kahn com a conhecida jornalista de televisão Anne Sinclair acabou. Juízes investigativos ordenaram que ele fosse julgado em 2013, ignorando a recomendação dos promotores para que o caso fosse abandonado.

Nos últimos anos, Strauss-Kahn tem feito várias tentativas de voltar à vida pública francesa, aparecendo no Festival de Cinema de Cannes e dando uma longa entrevista sobre a crise do euro para um programa de televisão francês. O julgamento será um teste para as tentativas de DSK de deixar para trás os escândalos sexuais. / AP

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