Em novo relatório, AIEA mantém Irã sob suspeita

Novos traços de plutônio e urânio enriquecidos - ambos materiais que podem ser utilizados na produção de ogivas nucleares - foram encontrados por peritos no Irã, informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nesta terça-feira. A revelação, feita pelo diretor da agência, Mohamed ElBaradei, vem no mesmo dia em que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou que seu país completará o ciclo do enriquecimento de urânio em breve. O combustível pode ser usado tanto para a produção de combustível para usinas nucleares como na fabricação de ogivas para armamentos atômicos. Potências mundiais como os Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha acusam Teerã de possui um programa nuclear secreto. Também nesta terça-feira, Ahmadinejad afirmou que o mundo não tem outra escolha se não "conviver com um Irã nuclear". Preparado para a próxima reunião da AIEA, que ocorrerá na semana que vem, o novo relatório detalha a descoberta dos novos indícios de plutônio e urânio enriquecido em um deposito de lixo nuclear. Além disso, critica Teerã pela falta de cooperação com a agência, que investiga aspectos suspeitos do programa nuclear do país. Segundo o texto, a AIEA não poderá confirmar as alegações iranianas de que suas atividades são exclusivamente civis se Teerã não ampliar sua abertura às inspeções. Essa cooperação, segundo o relatório, é um "pré-requisito para que a agência confirme a natureza pacífica do programa nuclear iraniano". Como esperado, o texto de quatro páginas confirma que o Irã continua desafiando as determinações do Conselho de Segurança da ONU, uma vez que manteve experimentos para enriquecimento de urânio. Cautela Um diplomata da ONU familiar com o relatório disse que as novas descobertas devem ser interpretadas com cautela, pois o Irã já apresentou explicações para elas. Ainda segundo a fonte, as alegações estão sendo analisadas pela agência e, caso sejam verdadeiras, os traços de urânio e plutônio altamente enriquecidos poderão ser facilmente classificados como subprodutos de atividades nucleares pacíficas. Embora os traços de urânio encontrados estivessem enriquecidos a níveis superiores aos necessários para a geração de energia, eles são mais baixos do que os necessário para a fabricação de armamentos. Ainda assim, as novas descobertas somam-se a um leque de outras a atividades suspeitas, incluído experimentos com plutônio, posse de projetos mostrando como moldar o urânio no formato de ogivas nucleares e a descoberta de outros traços de urânio altamente enriquecido em instalações militares.

Agencia Estado,

14 Novembro 2006 | 19h03

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