Em novos protestos, estudantes são detidos no Chile

Estudantes secundaristas chilenos voltaram às ruas para protestar por reformas no sistema educacional e contra a ação da polícia, que desocupou escolas tomadas pelos manifestantes. Segundo o jornal La Tercera, 316 jovens foram detidos em todo o país. Destes, 232 são homens menores de idade e 11 maiores e 69 mulheres menores de idade e 4 maiores.A polícia usou gases de efeito moral e canhões d´água para dispersar cerca de três mil estudantes no centro de Santiago. O grupo, com algumas pessoas armadas com pedras e pedaços de pau, voltou a se reunir para tentar chegar ao prédio do Ministério da Educação, mas foram reprimidos por um forte esquema policial."Essas marchas são um aviso ao governo", disse Max Mellado, um dos líderes do movimento estudantil chileno. Antes de iniciarem as marchas, os estudantes ocuparam as escolas para tentar provocar uma greve na educação. Os confrontos começaram quando a polícia invadiu os prédio e expulsou os jovens. A ministra da Educação, Yasna Provoste, afirmou que os atos de violência prejudicam a imagem do movimento estudantil. "Não há nenhuma justificativa para que estudantes que queiram chegar a seus estabelecimentos educacionais sejam impedidos por grupos minoritários, que, em uma ação violenta, usurpam os colégios", disse Provoste.O protestos também aconteceram em cidades do interior do país. Em Providência, 500 estudantes foram às ruas contra a expulsão de 44 alunos de uma escola católica, que participaram do movimento. Em outras, houve confronto com os policiais, pois as marchas não respeitaram o circuito pré-estabelecido para as manifestações.Nova mobilização estudantilAs autoridades chilenas condenaram os protestos e disseram que não há razões para uma nova mobilização estudantil. Em junho, mais de 1 milhão de estudantes participaram de protestos por uma reforma no sistema educacional chileno, na primeira crise interna do governo de Michelle Bachelet.Os protestos só terminaram quando Bachelet concordou em aceitar a maior parte das demandas dos manifestantes, incluindo a eliminação de uma taxa de ingresso nas escolas e a distribuição de 200 mil refeições diárias a alunos pobres.A presidente chilena também criou um grupo com 72 membros, incluindo representantes estudantis, para rever a política educacional criada pelo ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A lei transferiu aos municípios a responsabilidade pela educação, o que, segundo críticos, cria uma grande disparidade em termos de financiamento e de qualidade de ensino entre as cidades ricas e pobres.Texto atualizado às 21h10

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