Em país com maiores comunidades judaica e muçulmana da Europa, Sarkozy pede união após ataques

Polícia cerca suspeito de ataques a escola judaica na segunda-feira em Toulouse; homem seria muçulmano de origem argelina.

BBC Brasil, BBC

21 Março 2012 | 09h37

O assassinato de quatro pessoas em frente a uma escola judaica em Toulouse, na segunda-feira, não deve ser usado para atos de vingança ou discriminação, afirmou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em pronunciamento na manhã desta quarta-feira.

Segundo o presidente, atos de terror não conseguirão dividir a França, que abriga as maiores comunidades judaica e muçulmana da Europa.

"O terrorismo não conseguirá fraturar nossa comunidade nacional", afirmou. "Eu digo a toda a nação que precisamos ficar unidos", disse ele, antes de se encontrar com líderes das duas comunidades em Paris.

Sarkozy fez seu pronunciamento em meio ao cerco policial a um edifício em Toulouse no qual se acredita estar o suspeito pelos ataques de segunda-feira e por outros dois na semana passada que deixaram três soldados mortos.

Segundo o ministro do Interior, Claude Gueant, que está no local, o suspeito é um muçulmano de 24 anos que teria se declarado afiliado à rede Al Qaeda.

Gueant afirmou ter certeza de que o suspeito cercado é o autor dos ataques e disse esperar que ele se entregue na tarde desta quarta-feira.

Policiais chegaram a entrar na casa pela manhã, mas saíram após serem recebidos a tiros. Dois policiais ficaram feridos.

Kalashnikov e Uzi

O suspeito foi identificado como Mohammed Merah, um francês de origem argelina, que teria dito pertencer à Al Qaeda e ter agido para vingar "as crianças palestinas" e os "crimes franceses" no Afeganistão.

Segundo Gueant, o homem vinha sendo acompanhado pelo serviço de inteligência francês "há vários anos".

O suspeito estaria armado com uma metralhadora Kalashnikov, uma pistola automática mini-Uzi 9 milímetros e vários revólveres. Pela manhã, ele jogou pela janela um revólver Colt 45 em troca de um telefone. Mais armas foram encontradas em um carro próximo ao local.

Alguns membros de sua família teriam sido presos e sua mãe foi levada ao local do cerco, para tentar convencer o filho a se entregar.

O edifício onde o suspeito está sitiado fica a cerca de três quilômetros da escola judaica onde um rabino e três crianças foram mortas a tiros na manhã de segunda-feira. As autoridades francesas acreditam que o mesmo homem matou três soldados na região na semana passada em dois ataques separados.

Cúmplices

Gueant afirmou que o suspeito não apresentou nenhuma demanda em particular e que interrompeu as negociações após dialogar inicialmente com os policiais.

"Nossa preocupação é prendê-lo em uma condição que ele possa ser levado à Justiça", afirmou.

O edifício cercado em Toulouse tem cinco andares, e o suspeito estaria no térreo ou no primeiro andar.

A região foi cercada por policiais com capacetes e coletes à prova de bala. Promotores dizem que há ainda uma operação em curso em busca de possíveis cúmplices.

A mídia francesa vem ligando o suspeito a um grupo chamado Forsane Alizza (Cavaleiros do Orgulho), que havia sido banido pelas autoridades francesas em janeiro.

Prisão no Afeganistão

Segundo Gueant, o homem cercado teria viajado ao Afeganistão e ao Paquistão. Ele teria sido detido em 2010 em Candahar, no Afeganistão, por uma acusação criminal não ligada ao terror. Ele também teria condenações anteriores na França.

Segundo o correspondente da BBC em Paris Hugh Scofield, os investigadores relatam que o suspeito foi identificado por causa de uma mensagem de e-mail enviada ao primeiro soldado morto na semana passada sobre comprar uma moto.

A mensagem, enviada da conta de correio eletrônico de seu irmão, marcou um encontro no qual o soldado foi morto.

O homem também procurou uma oficina mecânica em Toulouse para ter sua lambreta Yamaha pintada após os dois primeiros ataques. Segundo testemunhas, o suspeito fugiu dos locais dos três ataques em uma lambreta.

Enterro em Israel

Os corpos das quatro vítimas do ataque na escola judaica foram levados a Israel, onde devem ser enterrados nesta quarta-feira, em Jerusalém.

Os mortos no ataque foram o rabino e professor de religião Jonathan Sandler, de 30 anos, seus dois filhos Arieh, de 5 anos, e Gabriel, de 4, além de Myriam Monsonego, de 7 anos, filha do diretor da escola.

Ao menos 2 mil pessoas acompanham o enterro no cemitério Givat Shaul, em Jerusalém.

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, acompanha os parentes das vítimas em Israel. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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