Em Pequim, chanceler norte-coreano modera discurso

China e Coréia do Norte concordaram em sustentar que a crise relacionada com o programa nuclear de Pyongyang deve ser resolvida através de meios pacíficos. Foi o que afirmou a porta-voz da Chancelaria chinesa, Zhang Qiyue, após uma visita do chanceler norte-coreano a Pequim, estabelecendo uma pausa na crise para a qual, até agora, não se vislumbra uma solução próxima. Justamente hoje, um porta-voz do Exército norte-coreano afirmou que Pyongyang poderia denunciar o armistício que, em 1953, pôs fim à guerra entre as duas Coréias. Como jamais foi firmado um tratado de paz, a denúncia do armistício significaria o retorno de um estado de guerra entre os dois países. "O Exército do povo norte-coreano não terá outra opção senão abandonar todos os vínculos que lhe foram impostos pelo acordo de armistício em caso de sanções militares dos EUA contra nosso país", advertiu o porta-voz. O clima político melhorou em Pequim, onde o chanceler norte-coreano Paek Nam Sun, de passagem pela capital chinesa rumo a Kuala Lumpur, onde participará da reunião do Movimento de Países Não-Alinhados, se encontrou inesperadamente com o vice-chanceler chinês responsável pelos Assuntos Asiáticos, Wang Yi. A China afirmou estar "em constante contato com todas as partes envolvidas (ou seja, Coréias do Norte e do Sul, Japão, Rússia e EUA)" desde o início da crise, em outubro. Pequim sustenta que a crise deve ser resolvida "com a desnuclearização da Península Coreana" e "através do diálogo com todas as partes interessadas". Zhang disse hoje que, em seus contatos com Pequim, notou "progressos" e citou como exemplo o fato de que hoje "as duas partes (China e Coréia do Norte) se declararam de acordo sobre o fato de que a crise deve ser resolvida pacificamente?. "Parece-me ser um fato importante", disse Zhang. A China fornece grande parte da ajuda enviada pela comunidade internacional à Coréia do Norte. Pequim foi convidada pelo secretário de Estado americano, Colin Powell, a fazer uso, com maior firmeza, de seu poder em relação a Pyongyang. O mesmo Powell, acrescentou a porta-voz sem indicar uma data, visitará Pequim futuramente.Se for confirmada por Pyongyang, a declaração feita hoje em Pequim é a primeira em tom moderado da Coréia do Norte, desde outubro. Acusada por Washington de não ter abandonado seu programa para produção de armamentos nucleares, a Coréia do Norte reagiu duramente. Primeiro anunciou sua retirada do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, e em seguida ameaçou reiniciar suas provas de mísseis balísticos capazes de transportar ogivas atômicas.Além disso, Pyongyang também ameaçou desencadear uma guerra - presumivelmente com a Coréia do Sul - se não receber "garantias" de não ser atacada militarmente no futuro pelos EUA. Serviços secretos ocidentais suspeitam que a Coréia do Norte possa ter uma ou duas bombas atômicas, e que esteja em condições de fabricar outras quatro ou cinco em poucos meses.

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