Em Pequim, Chávez vê ''nova ordem mundial''

Em sua 6.ª viagem oficial à China, venezuelano tenta ampliar acordos bilaterais e exportação de petróleo

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2009 | 00h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, iniciou ontem sua segunda visita à China em menos de sete meses, em mais um sinal do fortalecimento dos laços entre Pequim e Caracas. O país latino-americano exporta cerca de 300 mil barris de petróleo por dia para a China e o objetivo de ambos os lados é alcançar a cifra de 1 milhão de barris diários até 2013."Um novo equilíbrio mundial começa a nascer: o mundo multipolar com o qual sonhamos por tanto tempo, com novos polos como Pequim e Tóquio", afirmou Chávez ao desembarcar na capital chinesa, vindo de visita oficial ao Japão.Chávez reuniu-se ontem com o presidente Hu Jintao e hoje terá encontro com o vice-presidente Xi Jinping, que visitou a Venezuela em fevereiro.PROXIMIDADEEsta é a sexta visita de Chávez à China desde que assumiu o poder, em 1999. Apesar de concentrada no petróleo, a relação entre os dois países é bastante ampla e inclui negócios na área militar, espacial, infraestrutura, telecomunicações e mídia.Há menos de dois meses, Pequim e Caracas decidiram dobrar, para US$ 12 bilhões, o valor de um fundo de investimentos que financia projetos conjuntos. Do total, US$ 8 bilhões vêm do governo chinês e US$ 4 bilhões, da Venezuela. Entre os projetos financiados está a construção de quatro navios petroleiros e uma refinaria na China, para processar o petróleo venezuelano importado, com capacidade para 400 mil barris diários. Fora da área energética, o fundo concedeu US$ 800 milhões para a construção de uma ferrovia no centro da Venezuela. A relação entre os dois países intensificou-se a partir de 2006 e estreitou-se ainda mais após setembro, quando vários acordos foram assinados durante visita de três dias do presidente venezuelano a Pequim. Caracas não aparecia nem mesmo entre os 20 maiores fornecedores de petróleo da China em 2006. No ano passado, passou para o sétimo lugar, com um crescimento de 57% do volume de embarques em relação a 2007.Com o aumento das vendas para a China, Caracas pretende reduzir o peso dos EUA em suas exportações - cerca de 50% do total - e expandir sua presença num mercado que continua a crescer em meio à crise global. A China importa cerca de metade do petróleo que consome e a maior parte é fornecida pelo Oriente Médio. Preocupadas com a instabilidade política da região, as autoridades de Pequim querem diversificar suas fontes de energia e a Venezuela pode responder por parte dessa demanda."Não é uma coincidência que o fortalecimento das relações ocorra sob o governo de Chávez", disse o jornal oficial China Daily no ano passado, por ocasião dos 34 anos de relações diplomáticas entre os dois países. O artigo destacava as afinidades Caracas-Pequim: "A política externa bolivariana tem como base os mesmos princípios que regem a da China, como o respeito mútuo pela soberania e integridade territoriais."

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