AFP PHOTO / Hamza Al-Ajweh
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Em pior dia em 3 anos na guerra da Síria, 106 morrem em Ghouta

Em três dias de bombardeios a reduto rebelde de Ghouta, 250 pessoas morreram, maior número de vítimas desde 2013; no norte do país, aumenta a tensão entre turcos e forças pró-Assad

O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2018 | 20h22

GHOUTA - A guerra na Síria teve nesta terça-feira, 20, um dos seus piores dias em três anos. As forças do presidente sírio Bashar Assad lançaram um ataque contra o enclave oposicionista no leste da cidade de Ghouta, e deixaram ao menos 106 mortos. Os bombardeios já duram três dias e mataram mais de 250 pessoas, entre elas 58 crianças, e deixaram 400 feridos – o maior número de vítimas na guerra desde 2013.

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No leste de Ghouta, um reduto rebelde nos arredores da capital síria, Damasco, onde moram mais de 400 mil civis, pelo menos 700 pessoas morreram desde que as forças de Bashar Assad cercaram a área há três meses, realizando bombardeios e ataques aéreos contra casas e hospitais, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, ONG que monitora o conflito. 

Os intensos bombardeios dos últimos três dias seriam uma tentativa de abrir caminho para uma ofensiva terrestre que permita ao regime Assad recuperar o controle da zona, nas mãos dos rebeldes desde 2012.

Organizações não governamentais que atuam na região afirmaram que este pode ser o pior massacre em sete anos de guerra civil. A Anistia Internacional disse que o regime sírio está cometendo “flagrantes crimes de guerra em escala épica” no leste de Ghouta.

A ONU disse que a situação está “fora de controle” e exigiu o cessar-fogo imediato para permitir a entrega de ajuda humanitária e a retirada de centenas de civis gravemente doentes e feridos.

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A Unicef publicou na terça-feira, dia 20, um comunicado em branco, com uma nota de rodapé em que se lê: “já não temos palavras para descrever o sofrimento dos menores e nossa indignação. Nenhuma palavra fará justiça aos menores assassinados, às suas mães, aos pais e aos entes queridos.”

Escalada da guerra. Nesta terça-feira, dia 20, forças pró-governo entraram na região de Afrin, no norte da Síria, para ajudar a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), alvo de uma ofensiva da Turquia na região desde janeiro.

Momentos depois da entrada, bombardeios atingiram o grupo, o que teria feito os combatentes recuarem, segundo a agência de notícias estatal turca Anadolu.

O movimento das forças pró-governo elevou o temor de uma escalada no conflito, pois coloca o Exército turco e os grupos rebeldes sírios diretamente contra a aliança militar que apoia o governo Assad. O governo turco disse ter alertado as forças pró-Síria a ficar fora de Afrin. / AFP, REUTERS e NYT

 

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