Em Portugal, socialistas vão governar sem maioria

O Partido Socialista de Portugal obteve ontem uma vitória eleitoral e permanece no poder. A sigla terá, porém, menos margem para implementar sua ambiciosa agenda de reforma, em um período de alto desemprego nacional. Os socialistas venceram as eleições gerais, mas não conseguiram manter sua maioria no Parlamento.

AE, Agencia Estado

28 de setembro de 2009 | 13h07

O primeiro-ministro José Sócrates afirmou que pretende manter as políticas vigentes e começar a negociar com outros quatro partidos, tanto à esquerda quanto à direita, a fim de garantir mais apoio no Parlamento de 230 cadeiras. "Nós vamos governar baseados no programa eleitoral que obteve apoio dos portugueses. Esse é nosso dever", afirmou Sócrates, após o anúncio dos resultados.

Restando apenas os quatro nomes que representarão os cidadãos portugueses no exterior para serem anunciados, os socialistas obtiveram 96 cadeiras no novo Parlamento, contra 121 mantidas na eleição anterior. Já o oposicionista Partido Social Democrata conseguiu 78 postos.

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"E agora, Sócrates?", questionou o tabloide 24 Horas em sua capa, nesta segunda-feira. O "Diário de Noticias" destacou a "vitória limitada" dos socialistas. O partido terá que buscar uma coalizão com outros partidos, o que parece improvável, ou buscar acordos no Legislativo tema por tema.

Os socialistas ficam sem a maioria no Parlamento no momento em que o nível de desemprego em Portugal atinge seu maior nível em 22 anos, de 9,1%. Já o déficit público deve atingir quase 6% do Produto Interno Bruto (PIB) o este ano.

Em pontos como reforma social e união civil entre homossexuais, os socialistas podem buscar o apoio dos comunistas, que asseguraram 15 cadeiras, e do Bloco Esquerda, de extrema-esquerda, que dobrou sua representação, chegando a 16 postos. Porém esses dois partidos condenam a ação dos socialistas para flexibilizar o mercado de trabalho. As duas siglas provavelmente rejeitariam qualquer medida do governo para cortar gastos a fim de controlar o déficit.

O primeiro grande desafio para o governo será o orçamento para 2010. Os socialistas prometeram gerar muitos empregos no setor público, com iniciativas como um novo aeroporto em Lisboa e uma linha ferroviária de alta velocidade. A líder social-democrata Manuela Ferreira Leite condenou esses gastos, qualificando-os como "desperdício". O Partido Social Democrata, porém, deve ao menos se abster de votar o orçamento proposto pelo governo, para que ele seja aprovado.

Um dos destaques das eleições foi o Partido Popular, que obteve 21 cadeiras, seu melhor resultado em 26 anos. Com isso, tornou-se a terceira força partidária portuguesa. Caso tenha o apoio do Partido Popular, os socialistas conseguirão aprovar seus projetos.

Os resultados dos votos no exterior serão divulgados apenas em 7 de outubro. Tradicionalmente, as quatro cadeiras são divididas entre os socialistas e o Partido Social Democrata. As informações são da Dow Jones.

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