Em primeira audiência, atirador do Colorado cala sobre motivo de massacre

Chacina no cinema. Jovem que matou 12 e feriu 58 em sessão do Batman aparece em tribunal de cabelo pintado e aparentando sonolência; James Holmes deve ser também acusado de tentativa de homicídio por armadilhas com explosivos que deixou no apartamento

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h04

Com o cabelo tingido de laranja e aparentando leve desorientação, James Holmes, o universitário de 24 anos que matou 12 pessoas em um cinema do Colorado na estreia do filme do Batman, na sexta-feira, compareceu ontem a um tribunal da cidade de Centennial. Além do juiz, parentes das vítimas acompanharam a sessão da corte.

Na audiência, Holmes ouviu seus direitos como réu e as prováveis acusações que sofrerá. Além de responder pelos assassinatos, deve ser atribuída a ele a tentativa de homicídio de outras 58 pessoas feridas no cinema e até de policiais que investigam o caso. A promotoria alega que os agentes poderiam ter morrido se fossem detonadas as armadilhas com explosivos montadas por Holmes em seu apartamento. Ele será formalmente acusado na segunda-feira.

O universitário aparentava estar com sono e desconcentrado enquanto o juiz falava. Em alguns momentos fechou os olhos, enquanto parentes das vítimas o observavam. O atirador tem ficado calado nos interrogatórios e assim permaneceu na audiência. Até agora, sua única declaração, segundo a polícia, foi ter se apresentado como o personagem Coringa após ser preso.

A polícia, que conseguiu finalmente desmantelar os explosivos e entrar na casa do atirador apenas no domingo, estuda centenas de pistas sobre a motivação do crime.

Isolamento. Holmes, de 24 anos e estudante de doutorado em neurociência na Universidade do Colorado, está detido em uma solitária. Na madrugada de sexta-feira, usando uma máscara e armado com um fuzil AR-15 e três pistolas, ele invadiu uma sala de cinema em Aurora, no Colorado, lançou bombas de gás lacrimogêneo e começou a disparar contra os espectadores. Entre as vítimas, há uma menina de 6 anos. Sua mãe, grávida, está em estado grave.

Até um mês atrás, Holmes estava no doutorado, sendo submetido às provas orais pelas quais passam os alunos de pós-graduação nos EUA. Dias antes do ataques, enviou um e-mail à direção da universidade dizendo que pretendia abandonar o curso.

A expectativa é a de que Holmes seja condenado à morte. "Se ele não for executado, então o Colorado pode acabar com esse tipo de sentença", afirmou o promotor Craig Silverman.

O massacre reacendeu o debates sobre a 2.ª Emenda da Constituição americana, que garante o direito ao porte de armas. Os opositores, que querem maior controle, têm citado a facilidade com que Holmes conseguiu comprar as munições. Os defensores dizem que, se alguém tivesse uma arma no cinema, poderia ter evitado a tragédia.

O presidente Barack Obama e seu adversário Mitt Romney, do Partido Republicano, acertaram uma trégua na campanha. Conforme o site Hollywood Reporter, a Warner, estúdio que produziu o filme, doará "uma quantia significativa" a associações que ajudam as vítimas.

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