Bloomberg photo by Zach Gibson
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Premiê libanês cogita rever renúncia se Hezbollah deixar conflitos regionais

Após ampliar a tensão na região com decisão de deixar o cargo, Saad Hariri afirma que não está preso em Riad e deve voltar ‘em breve’ a Beirute se houver condições de segurança; ele reafirma ideia de abandonar posto, o que mergulhou país em crise

O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2017 | 17h19
Atualizado 13 Novembro 2017 | 08h42

BEIRUTE - O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, disse neste domingo, 12, que irá retornar ao seu país “muito em breve” e garantiu que está “livre” na Arábia Saudita, onde se encontra desde o dia 4, quando renunciou ao cargo, colocando o Líbano em uma crise política que ameaça a estabilidade da região. Hariri indicou que pode voltar ao posto se o grupo radical Hezbollah se comprometer a permanecer neutro em conflitos regionais.

+ Entenda a relação conflituosa entre Arábia Saudita e Irã

Horas antes, o presidente do Líbano, Michel Aoun, afirmou acreditar que “a liberdade de Hariri estava limitada” na Arábia Saudita. Grupos políticos libaneses questionam a suposta liberdade de movimento do chefe de governo. “Estou livre”, respondeu Hariri, em entrevista à emissora Future TV, afiliada a seu partido político. Ele afirmou que decidiu deixar o cargo para salvar seu país de um perigo iminente. “Voltarei logo, pronto para iniciar os procedimentos constitucionais necessários”, ressaltou o premiê em alusão à sua renúncia, que não foi aceita por Aoun.

+ A mão saudita na renúncia do premiê libanês

Contudo, Hariri disse que poderia desistir de sua renúncia se o Hezbollah se comprometer a permanecer neutro em conflitos regionais. O premiê contou que o governo de unidade criado por ele há um ano deveria concordar em não interferir em assuntos regionais, mas o grupo não cumpriu com sua parte.

Ao anunciar que deixaria o cargo, em um discurso divulgado pela rede Al Arabiya, Hariri denunciou o “controle” que exercem o Irã e o Hezbollah, aliado de Teerã, nos assuntos internos do Líbano. A decisão do premiê foi rapidamente percebida como um novo componente na relação conflituosa entre Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita.

 

O Hezbollah enviou milhares de soldados à Síria para apoiar as forças do presidente Bashar Assad. Na sexta-feira, o líder do grupo, Hassan Nasrallah, acusou a Arábia Saudita de ter detido Hariri, que tem dupla nacionalidade – saudita e libanesa. Ele assegurou que sua renúncia havia sido pedida por Riad. “Escrevi minha demissão de próprio punho e letra e quis provocar um choque positivo”, respondeu o premiê.

Durante a maratona de Beirute, na manhã deste domingo, várias personalidades libanesas pediram que Hariri volte ao país. O ministro das Relações Exteriores, Gebran Bassil; a mulher do presidente libanês, Nadia Aoun; e outros políticos estiveram presentes na corrida, que, a pedido do governante, teve o tema “Queremos o retorno de Hariri”. Corredores carregavam a bandeira libanesa ou cartazes com mensagens como “Queremos que o nosso primeiro-ministro retorne” ou “Corremos por você”. A emissora oficial saudita exibiu mais cedo imagens do primeiro-ministro no Aeroporto de Riad recebendo o rei Salman na volta de uma viagem à cidade de Medina. 

A renúncia de Hariri, feita da Arábia Saudita, motivou no sábado um protesto contra o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, nas ruas de Trípoli, no norte do Líbano. 

Os manifestantes queimaram fotos do filho do rei, ação que provocou uma troca de acusações entre o ministro do Interior do Líbano, Nohad Machnouk, que questionou a presença das fotos nas ruas, e o ex-ministro de Justiça do país Achraf Rifi. Ele teme que “as relações amistosas e históricas com a Arábia Saudita” possam ser prejudicadas. / AP, REUTERS e EFE

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