Em pronunciamento, Assad promete reformas em meio ao 'caos' na Síria

Para presidente sírio não há solução política possível para crise com pessoas armadas

Agência Estado e Reuters

20 de junho de 2011 | 09h23

Corrigido às 14h10

 

Assad disse que "sabotadores" estão por trás dos distúrbios contra seu regime

 

DAMASCO - O presidente da Síria, Bashar al-Assad, prometeu nesta segunda-feira, 20, a realização de reformas em meio ao "caos" do país. Segundo ele, a Síria está em um "ponto de inflexão", após "dias difíceis". Ele fez as declarações em um discurso na Universidade de Damasco, que foi televisionado. Ele prometeu que o país ressurgirá mais forte, apesar da "conspiração" contra ele.

 

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Segundo Assad, está em andamento na Síria um "diálogo nacional" que poderia levar a uma nova Constituição. Ele levantou a possibilidade de haver eleições e do fim do predomínio do governista Partido Baath, porém advertiu que a economia está à beira do colapso.

 

Assad enviou suas condolências às famílias dos "mártires" mortos nos protestos que ocorrem no país desde meados de março.

 

Um comitê de diálogo nacional se reunirá nos próximos dias, com mais de 100 personalidades convidadas, para discutir critérios e mecanismos para uma reforma constitucional, declarou o presidente. Assad definiu o prazo de um mês para a apresentação de recomendações.

 

 

'Sabotadores'

 

Assad disse que "sabotadores" estão por trás dos distúrbios contra seu regime e que uma acomodação política não poderia ser alcançada com homens armados.

 

"Nós temos de fazer distinções (entre manifestantes e outros com demandas legítimas e os sabotadores). Os sabotadores são um pequeno grupo que tentou explorar a respeitosa maioria do povo sírio para pôr em prática seus esquemas", afirmou. Segundo ele, nenhuma solução política é possível com pessoas portando armas.

 

Enquanto as forças sírias estavam vasculhando a fronteira noroeste do país com a Turquia, bloqueando milhares de pessoas que fugiam da repressão militar, Assad pedia que os cerca de 10 mil sírios que já cruzaram a fronteira voltassem para casa.

"Há quem lhes dê a impressão de que o Estado vai se vingar deles. Afirmo que isso não é verdade. O Exército está lá para manter a segurança", disse ele em um discurso na Universidade de Damasco.

 

Pressão

 

Este foi o terceiro discurso do líder sírio desde o início dos protestos. Líderes ocidentais pressionam por reformas concretas na Síria. Os ministros das Relações Exteriores europeus, frustrados com a ameaça da Rússia de usar seu poder de veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), reuniram-se em Luxemburgo para discutir sanções mais duras contra Damasco, por causa da repressão aos protestos. O chanceler britânico, William Hague, disse que "Assad deve fazer reformas e renunciar".

Ontem, ativistas da oposição síria anunciaram a criação de um "Conselho Nacional" para combater o regime. Também pediram uma ação mais vigorosa das outras nações. "Na Líbia, após a morte de 200 pessoas, (o líder líbio Muamar) Kadafi não tinha mais legitimidade", comparou o porta-voz do conselho, Jamil Saib. "Aqui na Síria, enquanto grupos pelos direitos humanos dizem que há 1.500 mortos e milhares de feridos e presos, a comunidade internacional e o mundo árabe ficam em silêncio."

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, sediado em Londres, a violência na Síria já matou 1.310 civis e 341 membros das forças de segurança.

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