REUTERS/Jean-Paul Pelissier
REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Na TV, Macron anuncia aumento do salário mínimo e redução de impostos 

Presidente diz que mudança entrará em vigor em 2019, quando as horas extras também serão isentas de impostos, e pede a empregadores que deem bônus de fim a ano a seus funcionários

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2018 | 17h37
Atualizado 10 Dezembro 2018 | 18h19

PARIS - O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira, 10, que elevará em € 100 o salário mínimo mensal - atualmente em € 1.498,47 (R$ 6.674,94) - e reduzirá os impostos para pensionistas e trabalhadores, em um discurso, transmitido pela TV, com o objetivo de atender às demandas do movimento "coletes amarelos"

Macron reconheceu que suas palavras "feriram alguns" no passado e considerou justificado o descontentamento que desencadeou os protestos. Ele decretou o que chamou de um estado de emergência econômico e social para enfrentar a onda de revoltas contra seu governo.

Em uma fala na TV, que durou 13 minutos, o presidente admitiu que o país “enfrenta um momento histórico” e pediu às grandes empresas que participem do esforço necessário para mudar a situação.

Macron indicou que esse aumento do salário mínimo entrará em vigor em 2019 “sem nenhum custo ao empregador”. Ele acrescentou que as horas extras estarão isentas de impostos também a partir do próximo ano.

O presidente também pediu aos empresários que “tenham condições” que entreguem a seus funcionários um bônus de fim de ano que também será livre de impostos. 

Ele destacou que os aposentados que ganhem menos de 2 mil euros (R$ 8.909,40) ao mês terão anulado o aumento da Contribuição Social Geral, um imposto proporcional sobre a renda ou o capital que financia da Seguridade Social.

No entanto, Macron não aceitou reinstaurar o imposto sobre as fortunas, que era pago por aqueles com um patrimônio bruto superior a ¤ 1,3 milhão, que foi substituído por um imposto sobre a fortuna imobiliária.

“Queremos uma França onde uma pessoa possa viver signamente de seu trabalho. Peço ao governo e ao Parlamento que façam o necessário”, concluiu sobre as medidas previstas.

Macron se reuniu nesta segunda-feira com atores sociais e líderes políticos antes de se dirigir à nação para tentar encontrar uma saída para a crise dos “coletes amarelos” que colocou o Executivo contra a parede.

O presidente realizou pela manhã uma reunião no Palácio do Eliseu com 37 pessoas, entre elas o primeiro-ministro Edouard Philippe e 12 membros do governo, assim como com sindicalistas, membros da área patronal, presidentes da Assembleia Nacional e do Senado e líderes locais.

“Eu lhe disse que vivemos uma crise democrática muito grave cuja raiz está nas desigualdades sociais e territoriais”, disse o líder do sindicato considerado moderado (CFDT), Laurent Berger.

Por sua vez, o líder da patronal francesa (Medef), Geoffroy Roux de Bézieux, disse que lembrou ao presidente a “necessidade de reduzir a pressão fiscal”.

Macron, muito impopular, insultado nas manifestação onde se pede sua demissão, e que enfrenta a degradação da economia francesa em razão dos bloqueios nas estradas e o fechamento do comércio, necessita de uma saída para reduzir a cólera que tomou conta de boa parte do país há mais de três semanas. 

Prisões

As forças de segurança francesas detiveram 4.523 pessoas em todo o país desde a primeira manifestação, em 17 de novembro, dos protestos que pedem mais justiça social na França, informaram nesta segunda-feira fontes policiais.

Somente no sábado, na quarta manifestação, cerca de 2 mil pessoas foram presas, marcando um recorde histórico no país.

A divisão entre os franceses parece cada vez maior entre uma parte da população que se sente cada vez mais pobre e assegura que não é ouvida pelas "elites" e Macron, chamado de "o presidente dos ricos".

Os "coletes amarelos" criticam a supressão do imposto sobre a fortuna, adotada por Macron ao assumir o poder 18 meses atrás, uma medida considerada um "presente" para os ricos.

Desde o sábado, o presidente vem fazendo algumas concessões para "restabelecer a unidade nacional". Mas as expectativas dos manifestantes são cada vez mais numerosas e, para eles, não é suficiente o fato de o governo ter desistido de aumentar as taxas dos combustíveis, reivindicação original do movimento heterogêneo e sem liderança. / EFE e AFP 

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