Rodrigo Cavalheiro
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Em protesto, Praça de Maio ganha casas

Assim que amanheceu, eles começaram a construir, num dos canteiros da Praça de Maio, uma casa de tijolos e cimento para “protestar mais comodamente”. Chegaram a escavar um buraco para o puxadinho onde seria erguido um banheiro, quando a Justiça, por volta do meio-dia, ordenou que a obra parasse. A essa altura, já havia duas paredes com seis fileiras de tijolos de altura, cercadas por dezenas de câmeras de TVs e centenas de celulares de curiosos e turistas, que espantados fotografavam a nova “atração”, a 10 metros do monumento ao redor do qual algumas mães de desaparecidos na ditadura (1976-1983) ainda protestam às quintas-feiras. 

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

07 Outubro 2015 | 20h55

Após sete anos e meio acampados na principal praça argentina, veteranos da Guerra das Malvinas que atuaram no continente e exigem benefícios iguais aos dos que combateram nas ilhas desmontaram nesta quarta-feira, 7, suas barracas. Só parecia um recuo. 

“Achei genial”, disse a turista espanhola Alba Montalban, de 27 anos. O guia do grupo em que ela andava de bicicleta, Alejo del Águila, relatou estar acostumado a visitantes britânicos que aprendem sobre uma guerra diferente. A Grã-Bretanha tem soberania sobre as ilhas, que chama de Falklands. 

A Praça de Maio, diante da qual fica a Casa Rosada, é patrimônio nacional. Até ontem a noite, o grupo continuava construindo, apesar do veto judicial. A segurança no local é função da Polícia Federal, embora a manutenção seja do município. “Com as barracas, já havíamos nos tornado parte da paisagem. Já que estamos aqui tanto tempo, queremos estar um pouquinho mais cômodos”, disse Oscar Veloso, um dos veteranos da praça. Ele serviu na Província de Santa Cruz, berço político dos Kirchners.

A presidente é o principal alvo das faixas do grupo. “CFK (Cristina Fernández de Kirchner), lembra quando apagava a luz e fechava as janelas de sua casa, temendo um bombardeio inglês? Nós cuidamos de você e agora você nos trai?”, dizia uma. 

Há precedentes de indenização a quem trabalhava em radares em terra, mas a Justiça nega a extensão dos benefícios a quem por exemplo trabalhava em hospitais, caso de Alfredo Aguirre, que virou pedreiro e ontem usava uniforme do Exército. Ele ganha 4 mil pesos (1,6 mil) por mês e calcula que um soldado com os direitos reconhecidos chega a 15 mil pesos (R$ 6,1 mil). "Não fomos às ilhas, mas do continente partiu a artilharia mais pesada contra os britânicos, que chegaram à costa. Já estamos perdendo a dentadura e a audição, cansados de fazer bicos”, disse Gustavo Nápoli, um dos porta-vozes do movimento

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