James, Los Tiempos Bolivia/Social Media via Reuters
James, Los Tiempos Bolivia/Social Media via Reuters

Manifestantes contra Evo pintam prefeita de rosa e a obrigam a andar descalça pelas ruas

Estradas que cruzam as fronteiras são fechadas pelos caminhoneiros para paralisação de 15 dias; confrontos deixam 1 morto e 22 feridos em várias cidades

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2019 | 22h39
Atualizado 07 de novembro de 2019 | 18h33

LA PAZ - Caminhoneiros começaram a fechar as estradas que cruzam as fronteiras da Bolívia na quarta-feira, 6, em apoio à proposta de paralisação das atividades econômicas por 15 dias. Um jovem de 20 anos morreu durante os violentos enfrentamentos entre governistas e opositores registrados  em diversas cidades da Bolívia, incluindo a capital La Paz, e deixaram 22 feridos.

Em Vinto, Departamento de Cochabamba, manifestantes colocaram fogo na prefeitura e mantiveram a prefeita Patricia Arce como refém. A prefeita foi humilhada publicamente pela multidão por transportar camponeses pró-Evo Morales para confrontar os manifestantes. Arce teve o cabelo cortado, foi pintada de rosa e obrigada a andar descalça por vários quarteirões em meios aos gritos de "assassina! assassina!". A prefeita foi resgatada pela polícia horas depois.

Os protestos contra a reeleição de Evo, considerada fraudulenta, chegaram ao 15.º dia. Todos os nove departamentos da Bolívia enfrentavam bloqueios nas ruas, protestos diante de edifícios estatais e confrontos entre opositores e partidários do chefe de Estado, no poder desde 2006. 

Cochabamba, uma das principais cidades da Bolívia, também foi palco de violentos confrontos, que deixaram 20 feridos. Segundo a defensora pública Nadia Cruz, alguns feridos estão em estado grave. Ambos os lados se enfrentaram com pedras e pedaços de pau. Um grupo de estudantes chegou a disparar foguetes de lançadores artesanais.

Limbert Guzmán, de 20 anos, chegou a ser internado com morte cerebral em um hospital da região, no centro do país, após sofrer graves ferimentos. Sua morte foi confirmada nesta quinta-feira.

Evo acusa a oposição de “tramar um golpe de Estado” e convocou seus simpatizantes a ocupar as ruas, aumentando o risco de violência. Nesta quarta, em muitos locais, de um lado havia marchas de sindicatos, organizações de mulheres e de produtores de folhas de coca, partidários de Evo. Do outro lado estavam trabalhadores de fábricas e outros setores, pedindo a renúncia do presidente. 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) prometeu realizar uma auditoria da votação, mas a oposição rejeita e agora exige a realização de novas eleições sem a participação de Evo, que venceu em primeiro turno após a apuração ser paralisada e depois retomada. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.