Em protesto antigay, ativista de ultradireita se suicida em Paris

Ativista que se matou perto do altar de Catedral de Notre-Dame era historiador e combatia a 'islamização' da França

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2013 | 02h04

Um escritor e historiador francês, militante do partido de extrema direita Frente Nacional, suicidou-se ontem próximo ao altar da Catedral de Notre-Dame, em Paris. O ato foi antecedido de um post em seu blog no qual Dominique Venner, de 78 anos, defendeu a realização de "atos extremos" contra a lei recém-aprovada pelo Parlamento e homologada pelo governo socialista de François Hollande que autorizou o casamento homossexual na França.

O suicídio ocorreu por volta de 18h, no interior da catedral, um dos pontos turísticos mais visitados do mundo. Venner portava carteira de identidade e uma arma, com a qual disparou na boca. O historiador deixou uma carta de despedida, encontrada pelo monsenhor Patrick Jacquin, reitor da catedral. O conteúdo da mensagem, dirigida aos investigadores, não havia sido divulgado até a noite de ontem.

Diante da tragédia, a igreja foi esvaziada às pressas e fechada ao público. Do lado de fora, um cordão isolou a entrada do prédio.

A Frente Nacional é liderada pela família Le Pen. Venner também foi militante da Organização Armada Secreta (OAS), um grupo paramilitar clandestino que nos anos 60 tentou impedir a independência da Argélia, então colônia francesa. Como historiador, era especialista em "civilização europeia" e integrava uma corrente denominada Nova Direita, que defende o "nacionalismo europeu". Venner era também editor da revista bimestral Nouvelle Revue, dedicada à divulgação das ideias da extrema direita.

Não por acaso, a líder do FN, Marine Le Pen, demonstrou "todo respeito" e lamentou em seu twitter oficial o gesto "eminentemente político" de Venner, "que tentou despertar o povo da França".

Além de nacionalista, Venner era islamofóbico e pregava contra a "islamização da França", uma bandeira dos partidos extremistas do país. Sua última "cruzada" vinha sendo a luta contra o casamento homossexual, aprovado no mês passado. No último post, publicado horas antes de sua morte, Venner defendeu a manifestação de domingo como a esperança de reverter a legislação, que ele definiu como "uma lei infame".

As manifestações contra o casamento homossexual na França tiveram início em agosto de 2012, organizadas pelo grupo de extrema direita Civitas, ligado a setores tradicionalistas (extremistas) da Igreja Católica. A partir de novembro, a liderança do movimento passou a setores moderados ligados à Igreja.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.