Em protesto, Belém apaga as luzes do Natal cristão

Manifestações violentas se espalham por outras cidades palestinas e capitais árabes

AP, AFP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 00h00

Em protesto contra o bombardeio israelense na Faixa de Gaza, o prefeito de Belém, Victor Batarse, ordenou que as luzes da árvore de Natal da Basílica da Natividade - onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo - fossem apagadas. "Decidimos apagar as decorações e a árvore da Natividade para protestar contra o massacre cometido na Faixa de Gaza", declarou. "Israel sabotou as Festas." As luzes da igreja normalmente ficam acesas até o final das festas cristãs ortodoxas, em janeiro.Logo após o ataque israelense, centenas de manifestantes saíram às ruas na Cisjordânia para protestar contra Israel. A Autoridade Palestina, liderada por Mahmud Abbas, reforçou o policiamento e reprimiu algumas manifestações para evitar que a situação fugisse ao seu controle. Os protestos se estenderam também aos vários países árabes. Policiais foram chamados para controlar distúrbios em Amã, na Jordânia, e no Cairo, capital egípcia.A Síria, que ocupa a presidência temporária da Liga Árabe, chegou a anunciar a convocação de uma reunião de cúpula extraordinária para hoje. Mas ela foi adiada para quarta-feira.O Itamaraty condenou, em nota, o lançamento de foguetes, mas considerou "desproporcional" a reação israelense. Em Washington, o governo dos EUA pediu ao Exército israelense que evite causar baixas civis em Gaza. No entanto, por meio de um porta-voz, o Departamento de Estado americano advertiu o movimento fundamentalista palestino Hamas a parar com o disparo de foguetes contra o território de Israel. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, responsabilizou o Hamas pelo fim da trégua e pelo lançamento de foguetes que causou a resposta israelense.Em Bruxelas, o representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, pediu um cessar-fogo "imediato" e exortou as duas partes a agir com "o máximo de contenção". Em férias na Bahia, o chefe do Estado francês e presidente rotativo da UE, Nicolas Sarkozy, emitiu uma nota exigindo a "interrupção imediata dos lançamentos de foguetes contra Israel e dos bombardeios israelenses sobre Gaza". No comunicado, Sarkozy condenou "as provocações irresponsáveis que levaram a essa situação", assim como "o uso desproporcional da força". Normalmente menos inclinada a acatar os argumentos israelenses, a Rússia instou Israel a parar a ofensiva na Faixa de Gaza. No entanto, Moscou exortou o Hamas a frear o lançamento de foguetes "a fim de romper o círculo vicioso da violência".

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