Em protesto contra a violência, dois deputados da Síria renunciam

Parlamentares discordam de métodos repressivos do governo contra manifestações pacíficas

Associated Press

23 de abril de 2011 | 13h35

BEIRUTE - Dois membros do Parlamento da Síria renunciaram aos seus cargo em protesto à repressão governamental aos protestos pró-democracia que ocorrem no país há pouco mais de um mês, informaram neste sábado, 23, ativistas.

 

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Os deputados, Nasser Hariri e Khalil Rifai, são da região sul, onde fica Deraa, cidade onde tiveram início os protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, que está há quase 11 anos no poder. Os ativistas pediram para não ser identificados após confirmar a renúncia dos parlamentares.

 

 

Em declarações ao canal árabe Al-Jazira, Hariri disse que está deixando o cargo por não concordar com os métodos do governo em lidar com os protestos. "Se não posso proteger meu povo desses ataques traidores, então não há motivo para que eu permaneça na Assembleia do Povo. Declaro minha renúncia", disse. As renúncias são extremamente incomuns na Síria, onde a maioria dos opositores está presa ou no exílio.

 

 

A renúncia dos parlamentares é anunciada um dia depois do dia mais mortífero na síria. Ativistas dizem que ao menos 75 pessoas morreram nos protestos da sexta-feira em várias cidades do país. Neste sábado, durante os enterros dessas vítimas, houve mais tiros e mortes.

 

As sextas-feiras têm sido usadas pelos manifestantes sírios como o dia oficial de protestos. As marchas têm início após o período de rezas e, apesar da forte repressão do governo, são pacíficas. Os opositores de Assad pedem mais liberdade política ao regime, que já dura quase 11 anos. A Síria é considerada um dos países mais repressivos do Oriente Médio.

 

Em resposta aos protestos, Assad anulou uma lei que estabelecia o estado de emergência no país há 48 anos e formou um novo governo. Os manifestantes, porém, julgaram as medidas insuficientes, o que só fez aumentar o coro pelo fim do regime. A comunidade internacional também ampliou a pressão sobre o presidente para que cesse a repressão contra os protestos.

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