Em protestos em Jerusalém, reservistas pedem renúncia de premier israelense

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, tentou nesta segunda-feira desarmar as crescentes críticas contra sua atuação durante a guerra contra o Hezbollah prometendo reconstruir as áreas fronteiriças atingidas por projéteis da milícia islâmica. Além disso, ele criticou seus predecessores afirmando que eles falharam em se preparar diante da crescente ameaça representada pelos guerrilheiros.Desde que um cessar-fogo apoiado pela ONU foi posto em prática na região, a frustração da opinião pública diante da performance do governo e do comando militar durante a ofensiva de 34 dias ao país vizinho não parou de crescer. O ultraje não mostrou sinais de diminuir nesta segunda-feira, quando centenas de reservistas saíram às ruas para pedir por uma investigação judicial sobre a atuação do governo. Alguns protestaram em frente ao escritório do líder israelense para pedir sua renúncia. A guerra, lançada em resposta à captura de dois soldados israelenses por milicianos do Hezbollah, teve inicialmente apoio da opinião pública, mas as críticas começaram a crescer assim que os embates elevaram significativamente o número de soldados israelenses mortos. Para os críticos, os líderes políticos e militares de Israel foram indecisos, firmaram objetivos irrealistas e concordaram com uma trégua insuficiente. As críticas ganharam força principalmente entre os reservistas israelenses, que se juntaram ao Exército para ampliar as operações no Líbano. Desde que iniciaram seu retorno do Líbano, os reservistas reclamaram da fraqueza do comando militar e da falta de comida, água e equipamentos no front.Críticas no ExércitoA situação foi reforçada nesta segunda-feira com a publicação de uma carta aberta ao ministro da Defesa, Amir Peretz, e ao chefe das Forças Armadas, general Dan Halutz, pelo jornal Maariv. Nela, um grupo de soldados denunciam terem sido impedidos de conseguir uma vitória contra a milícia xiita libanesa. Além disso, dezenas de reservistas marcharam cerca de 10 quilômetros em Jerusalém e se reuniram próximos ao gabinete de Olmert para pedir a renúcia do premier e de Peretz. Os manifestantes carregavam bandeiras de Israel e faixas pedindo uma investigação."Nenhum objetivo foi atingido. Nada foi feito nesta guerra", disse o pai de um dos soldados mortos durante os combates.E mesmo a liderança do Exército começou a mostrar ter focos de dissidência. Para o chefe da infantaria, General Yossi Human, "nós todos sentimos uma certa frustração". Peretz designou uma comissão de generais da reserva e um representante do setor civil para revisar as queixas e os erros, mas as crescentes denúncias podem obrigar o primeiro-ministro a solicitar uma investigação judicial.Olmert, por sua vez, se diz pronto para uma investigação, mas não especificou a que tipo de inquérito se submeterá. Uma investigação judicial poderia resultar em pedido de renúncia para o premier. Durante uma visita ao norte do país, Olmert aparentava tranqüilidade. Para ele, as pressões podem enfraquecer o Exército. "Eu não jogarei esse jogo. É um jogo que pode nos eliminar", disse.

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