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Wason Wanichakorn/AP
Wason Wanichakorn/AP

Em protestos, Tailandeses derramam sangue no palácio do governo

Desde sexta-feira, partidários de ex-premiê Thaksin Shinawatra exigem novas eleições

BBC

16 de março de 2010 | 09h45

BANGCOC - Centenas de litros de sangue humano foram derramados nesta terça-feira, 16, por milhares de manifestantes oposicionistas na frente da sede do governo da Tailândia, em Bangcoc, como forma de protesto contra o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva.

 

Os partidários da Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura (UDD, na sigla em tailandês), também conhecidos como "camisas-vermelhas", passaram o dia coletando sangue para poder fazer esse derramamento às 17 horas do horário local (7 horas em Brasília).

 

O grupo já estava acampado no centro da capital tailandesa há mais de três dias, exigindo que Vejjajiva dissolva o Parlamento e convoque eleições diretas imediatamente. Eles apoiam o ex-primeiro ministro e bilionário exilado Thaksin Shinawatra, deposto em 2006 depois de um golpe de Estado.

 

A meta do protesto organizado pela UDD era reunir pelo menos 100 mil manifestantes para coletar mil litros de sangue para "encharcar o escritório do premiê", afirmou um dos líderes do movimento, Weng Tojirakarn, ao jornal local The Nation. "É uma forma pacífica de lutar. Queremos ver se o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva tem coragem de caminhar sobre o nosso sangue para ir trabalhar no Congresso" disse Weng. Os manifestantes dizem que se Vejjajiva não renunciar, mais sangue será derramado no escritório do Partido Democrático e na residência do premiê.

 

Ultimato

 

Cerca de 500 enfermeiros e médicos coletaram as doações em três barracas improvisadas montadas no centro da capital. A iniciativa não teve adesão total entre os manifestantes, pois alguns temiam pelas condições de higiene na doação de sangue.

 

Além disso, aos poucos, os manifestantes foram abandonando o protesto por estarem esgotados por causa do calor e da longa duração do evento. A manifestação nos arredores do quartel aonde o premiê estaria abrigado teve início na última sexta-feira.

 

O "banho de sangue" ocorre após a rejeição de Vejjajiva ao ultimato feito pela UDD exigindo sua renúncia e a dissolução do Parlamento até o meio-dia de segunda-feira. Mas o primeiro-ministro disse em anúncio transmitido pela TV que permaneceria no cargo, pois "precisa ouvir a voz de toda a nação, não apenas dos manifestantes".

 

Incerteza

 

A situação política na Tailândia é incerta desde 2006, quando manifestantes contrários a Thaksin, os "camisas-amarelas", foram às ruas exigir a renúncia do primeiro-ministro, acusado de corrupção. Thaksin acabou deposto em golpe de Estado naquele ano, mas mostrou força política em 2008, quando aliados dele voltaram ao poder e ocuparam o gabinete do primeiro-ministro por três meses.

 

Na ocasião, confrontos entre apoiadores e opositores de Thaksin resultaram na ocupação e fechamento dos dois principais aeroportos de Bangcoc por uma semana. Atualmente, ele vive exilado, viajando pelo exterior, mas passando a maior parte do tempo em Dubai. Thaksin foi condenado à revelia a dois anos de prisão por abuso de poder.

 

Há pouco mais de uma semana ele perdeu US$ 1,4 bilhão da sua fortuna pessoal estimada em US$ 2,3 bilhões após a Justiça tailandesa concluir que esse dinheiro teve origem ilegal. Os seus simpatizantes afirmam que o julgamento teve motivações políticas.

 

Antes de tornar-se primeiro-ministro, Thaksin já era bastante rico e possuía, entre outros negócios, a companhia de telecomunicações Shin Corp. A empresa foi vendida ao fundo soberano Tamasek, de Cingapura, em janeiro de 2006, numa operação controversa que acabou desencadeando os protestos que resultaram em sua queda.

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