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Em quem votará o eleitor que apoiou Obama e Trump?

Ao contrário dos democratas, Donald Trump tem uma estratégia definida para a reeleição: derrotar os adversários nos mesmos Estados do Meio-Oeste onde venceu em 2016 – Michigan, Wisconsin e Pensilvânia

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 05h00

Ao contrário dos democratas, Donald Trump tem uma estratégia definida para a reeleição: derrotar os adversários nos mesmos Estados do Meio-Oeste onde venceu em 2016 – Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. Para isso, será crucial manter os votos daqueles que votaram em Barack Obama, em 2012, e em Trump, em 2016, conhecidos como eleitores “Obama-Trump”.

Não será fácil. “A impopularidade histórica de Trump, as perdas de seu partido em 2018 e as intenções de voto para 2020 sugerem que ele entra na eleição com obstáculos significativos a superar”, afirma Robert Griffin, diretor de pesquisa do Voter Study Group.

Para chegar a tal conclusão, Griffin analisou a opinião de quase 6.800 americanos nas eleições de 2012, 2016 e 2018. Trump nunca teve popularidade alta. Apenas 37% aprovam seu governo consistentemente. Entre os eleitores Obama-Trump, o nível de aprovação caiu 19 pontos desde 2016 (de 85% para 66%). Mais de um terço deles (37%) relataram ter votado num candidato democrata nas eleições de meio de mandato de 2018.

Sete em cada dez disseram que voltariam a votar em Trump em 2020 ou estão indecisos e aprovam o governo. Um quarto afirma que votaria no candidato democrata ou estão indecisos e desaprovam. “Enquanto a maioria dos eleitores Obama-Trump pode até se sentir à vontade no Partido Republicano, os resultados sugerem que parcela substancial continua a apoiar o Partido Democrata”, afirma Griffin.

 

​Democracia

Estudo eleitoral contará com 500 mil entrevistas

Financiado pelo apartidário Democracy Fund, o Voter Study Group promoverá, em parceria com a Universidade da Califórnia em Los Angeles, a maior pesquisa dos EUA entre eleitores, chamada Nationscape. Serão mais de 500 mil entrevistas ao longo de 80 semanas, uma das maiores iniciativas da natureza na história. As questões se concentrarão não só na corrida eleitoral, mas sobretudo nos valores e ideias do eleitorado.

 

Imposto  

Tarifas custarão até 1% do PIB dos EUA em 2020 

Ao longo de 2020, as tarifas e a política comercial de Trump custarão para cada domicílio americano entre US$ 500 e US$ 1.700, diz a economista Kadee Russ, da Universidade da Califórnia. Estudos do Escritório de Orçamento do Congresso e do Federal Reserve avaliam o impacto da incerteza política no PIB americano, respectivamente, em 0,3 e 1 ponto porcentual.

 

Meio ambiente 

Google financiou negacionismo climático

O Google fez contribuições financeiras a dois dos maiores grupos responsáveis pelo negacionismo climático: Competitive Entreprise Institute (cujo diretor Myron Ebell convenceu Trump a abandonar o Acordo de Paris) e State Policy Network (que apoia estudos pseudocientíficos sobre o aquecimento global). Ao Guardian, o Google afirmou que não “endossa a agenda” deles. Ambos controlam votos de parlamentares que defendem a agenda de desregulamentação cara às gigantes digitais.

 

Tecnologia 

Zuckerberg e o direito de mentir no Facebook

Em audiência no Congresso, Mark Zuckerberg foi instigado pelo deputado Bill Posey a permitir a disseminação no Facebook de propaganda contra vacinas. Conhecido militante antivacinação (embora negue), Posey lançou mão do argumento clássico do embusteiro digital: a liberdade de expressão. Zuck afirmou garantir a políticos o direito de espalhar mentiras, mas combater desinformação sobre vacinas: “Tentamos nos concentrar no que tem potencial de provocar dano físico ou iminente, e isso pode incluir dicas enganosas de saúde”. E quando elas vêm de um político?

Alemanha ​

O perfil da nova extrema direita alemã

Jovens da extrema direita alemã abandonaram o figurino do skinhead tatuado com roupas de couro e aderiram a roupas de marca e à moda sofisticada, em que embutem símbolos racistas e antissemitas, afirma a socióloga Cynthia Miller-Idriss no recém-lançado The Extreme Gone Mainstream (“O extremo tornado dominante”). Para traçar o perfil dos neonazistas contemporâneos, ela pesquisou um extenso arquivo com milhares de imagens digitais e entrevistou jovens e professores em duas escolas alemãs associadas ao extremismo. 

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