Adel Hana/AP
Adel Hana/AP

Em Ramallah, Abbas anuncia que buscará Estado pleno na ONU

Presidente palestino quer assento pleno; em uma semana, Abbas falará diante da Assembleia Geral

estadão.com.br

16 Setembro 2011 | 12h11

Atualizado às 13h34

 

RAMALLAH - Em discurso em Ramallah, o presidente palestino, Mahmud Abbas, disse nesta sexta-feira, 16, que buscará reconhecimento de um Estado palestino como membro pleno das Nações Unidas. Abbas fará um discurso diante da Assembleia Geral (AG) da ONU na próxima sexta-feira. "Queremos um assento nas Nações Unidas", disse.

 

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"Vamos à ONU para pedir nosso direito legítimo de obter adesão plena da Palestina nesta organização", afirmou. "Vamos ao Conselho de Segurança". Caso os EUA vetem a resolução, como Washington já anunciou que faria, os palestinos poderiam então recorrer à Assembleia Geral, mas o órgão não tem poder de conferir status de Estado pleno. A AG poderia reconhecer a Palestina como Estado não-membro.

 

Com o discurso de Abbas, que adiantou os termos que ele levará à ONU na semana que vem, cria-se um confronto diplomático com Israel e os Estados Unidos, contrários à criação de um Estado palestino de forma não negociada. Até hoje não se sabia qual seria a proposta palestina. "Com relação a outras opções", completou, "ainda não tomamos uma decisão".

 

'Nossa terra'

 

O presidente palestino disse em diversos pontos do discurso que "esta é a nossa terra". Ele insistiu em que o Estado palestino deverá ser criado nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. O Hamas, que governa a Faixa de Gaza, se opõe à medida do presidente palestino.

 

"Queremos paz", disse Abbas. Ele anunciou ainda que, ao voltar de Nova York, onde fará o discurso diante da AG, "negociaremos outras questões". De acordo com o presidente palestino, a decisão foi tomada "em acordo com 193 Estados".

 

"Vamos à ONU armados com o sacrifício dos nossos mártires", afirmou. "Somos o único povo no mundo que vive sob ocupação", disse Abbas. O presidente palestino perguntou, em seguida: "Por que?" O público presente no local aplaudiu.

 

Negociações diretas

 

Tanto Israel quanto os EUA se opõem firmemente à medida, argumentando que um Estado palestino só poderá ser criado por meio de negociações diretas.

 

Washington já disse que vai vetar no Conselho de Segurança qualquer tentativa de buscar adesão plena. Alguns políticos americanos chegaram a dizer que tentariam cortar a ajuda do país aos palestinos se eles não recuassem na busca do reconhecimento. Os EUA repassam à Autoridade Palestina cerca de US$ 500 milhões anualmente.

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