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Israel mata líder do grupo palestino Jihad Islâmica

Ação foi respondida com vários disparos de foguetes contra o território israelense, o que provoca o temor de uma escalada na região

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2019 | 03h06
Atualizado 12 de novembro de 2019 | 08h34

GAZA - O Exército de Israel matou nesta terça-feira, 12, na Faixa de Gaza um líder militar do grupo palestino Jihad Islâmica, que respondeu com vários disparos de foguetes contra o território israelense, o que provoca o temor de uma escalada na região, já que pouco depois um palestino morreu em um novo bombardeio da aviação israelense contra integrantes do grupo local.

As sirenes de alarme foram acionadas em várias cidades de Israel, incluindo Tel Aviv, onde as escolas e universidades foram fechadas após os lançamentos de foguetes.

A Jihad Islâmica confirmou a morte do comandante Baha Abu Al Ata, de 42 anos, depois que o Exército israelense anunciou um ataque contra o edifício em que ele morava. Vários moradores citaram uma explosão na residência de Abu Ata, no distrito de Shajaiya, ao leste de Gaza.

O grupo afirmou afirmou que está em "alerta máximo" depois da operação contra um de seus principais dirigentes e anunciou, em represália, disparos de foguetes contra as cidades israelenses próximas à Faixa de Gaza e a Tel-Aviv.

Uma fonte militar confirmou os disparos contra Israel a partir da Faixa de Gaza, território controlado há mais de 10 anos pelo movimento islamista Hamas e submetido ao bloqueio israelense.

"Nossa mensagem ao Hamas e à Jihad Islâmica palestina é que não buscamos uma escalada, mas estamos preparados para cenários defensivos e ofensivos", afirmou o porta-voz do Exército israelense, Jonathan Conricus. "Esperamos vários dias de confrontos."

Acusações

Israel justificou o ataque na Faixa de Gaza e afirmou que Abu Ata era o responsável por vários disparos de foguetes contra Israel a partir do território palestino. 

Ele estava preparando operações com foguetes, franco-atiradores, drones e combatentes, de acordo com os comandantes militares israelenses.

"Era responsável por vários ataques terroristas, por lançamentos de foguetes contra o Estado de Israel nos últimos meses e tinha a intenção de cometer ataques que eram iminentes", disse o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, antes de informar que a operação foi aprovada pelo gabinete de segurança.

Ataque na Síria

Israel também atacou a Jihad Islâmica em Damasco, informou a imprensa síria. De acordo com a agência oficial Sana, dois foguetes atingiram a residência de Akram Ajuri. O ataque matou seu filho Muadh e uma outra pessoa.

A Jihad Islâmica confirmou a morte de um filho, sem revelar o nome, do dirigente da organização.

Ao ser questionado sobre o ataque em Damasco, quase simultâneo com a operação aérea em Gaza, o Exército israelense se limitou a responder "sem comentários".

Tensão após semanas de calma

Os confrontos contrastam com a relativa calma das últimas semanas ao longo do muro que separa a Faixa de Gaza de Israel.

O momento anterior de lançamentos de foguetes palestinos e ataques aéreos israelenses havia sido em agosto, o que provocou o temor de uma escalada entre Hamas e Israel, que entraram em guerra em três ocasiões desde 2008.

Antes dos ataques de agosto, Israel estava adiando a entrada dos milhões de dólares de ajuda que o Catar entrega mensalmente às autoridades da Faixa de Gaza, no contexto de uma trégua negociada com a ONU, o Egito e o pequeno emirado do Golfo, que mantém relações privilegiadas com o Hamas e contatos com Israel.

Em agosto, de acordo com os analistas, os disparos de foguetes foram uma maneira de pressionar Israel a acelerar a entrada da ajuda do Catar. / AFP

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