Em reação a reconhecimento palestino, Israel decide ampliar assentamentos

Crise se aprofunda. Irritado com decisão de Mahmoud Abbas de forçar votação sobre status da Palestina nas Nações Unidas, governo israelense anuncia a autorização para a construção de mais 3 mil casas em áreas árabes de Jerusalém Oriental e Cisjordânia

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h04

Um dia depois de as Nações Unidas reconhecerem a Palestina como Estado observador não membro da ONU em votação histórica na Assembleia-Geral em Nova York, o governo de Israel anunciou a construção de mais 3.000 casas em assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

A decisão do governo do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, foi criticada pela administração de Barack Obama, que qualificou a atitude como contraproducente para o processo de paz.

Nas Nações Unidas, os Estados Unidos estiveram no grupo de oito países que, juntamente com Israel, votou contra o reconhecimento do Estado palestino. A favor, foram 138 países, incluindo o Brasil, e 41 optaram pela abstenção.

"Nós reiteramos nossa oposição às construções nos assentamentos e em Jerusalém Oriental", disse o porta-voz Tommy Vietor, do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. "Reiteramos que essas ações são contraproducentes e deixam ainda mais difícil a retomada das negociações para atingirmos a solução de dois Estados. Negociações diretas continuam sendo nosso objetivo e encorajamos os dois lados a darem passos para chegarmos a esse objetivo com mais facilidade", acrescentou depois do anúncio israelense.

Desde a administração de George W. Bush, o governo americano vem pedindo para Israel congelar a construção de mais unidades habitacionais nos assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Na semana passada, o governo Obama havia advertido Israel para não anunciar essas construções em resposta à iniciativa apresentada pelos palestinos nas Nações Unidas em busca do reconhecimento. Ao todo, cerca de 500 mil israelenses vivem nestas regiões em meio a 2,5 milhões de palestinos.

As novas casas serão construídas em uma área conhecida como E-1, em Maaleh Adumim, no subúrbio de Jerusalém.

Na prática, essas construções impedirão a existência de um território contínuo de cidades como Belém e Ramallah a Jerusalém Oriental, servindo como uma barreira para aproximar a parte árabe da cidade ao restante do território palestino.

Israel considera Jerusalém sua capital indivisível. Os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade, majoritariamente árabe cristã e muçulmana, como a capital de seu Estado.

Os Estados Unidos defendem que o status final da cidade, considerada sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos, seja definido em negociações entre os dois lados e mantêm as suas embaixadas em Tel-Aviv e Ramallah.

De acordo com o jornal Jerusalem Post, citando autoridades da administração de Binyamin Netanyahu, a medida do governo israelense foi tomada em resposta à decisão palestina de buscar o reconhecimento do Estado na Assembleia-Geral.

Israel passaria também a adotar outras ações unilaterais, segundo esta lógica.

Saeb Erekat, principal negociador palestino, criticou a decisão israelense, afirmando que "enquanto os palestinos fazem o possível para manter viva a solução de dois Estados, até mesmo por meio do voto nas Nações Unidas, o governo de Israel faz o passível para destruir esta possibilidade."

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