Em relação a 2008, democrata empolga menos os jovens

Camisetas com o rosto de Obama são raras nas ruas de NY, onde já não se organizam mais festas para a apuração

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h04

O entusiasmo com a campanha de Barack Obama entre os jovens neste ano não se aproxima da euforia de quatro anos atrás, quando universitários ao redor dos Estados Unidos votaram em massa no primeiro candidato posterior à geração baby-boomer, como são chamados os nascidos nos anos logo após a 2.ª Guerra.

Camisetas de Obama, comuns nas ruas do Brooklyn e Manhattan em 2008, atualmente são raras. Nas universidades, como a Columbia e a NYU (Universidade de Nova York), o interesse nesta eleição é bem menor do que de quatro anos atrás, quando os EUA elegeram o primeiro presidente negro. Não há festas sendo organizadas na cidade para acompanhar a apuração, como na primeira vez. Até programas de comédia, como a série 3rd Rock, ironizaram as diferenças entre as duas eleições.

Quatro anos atrás, Obama superou o seu adversário republicano por 68% a 30% entre os jovens e esta vantagem sempre foi citada como um fatores que contribuíram para a vitória do democrata. Desta vez, o presidente permanece na frente entre os eleitores de 18 a 29 anos, mas seu apoio caiu para 52% contra 35%, de acordo com pesquisa do Center for Information and Research on Civic & Engagement. (Circle, na sigla em inglês), da Universidade Tufts.

O maior problema para os jovens, segundo o levantamento, é a economia e o desemprego, exatamente como o restante da população americana. O número de pessoas entre 19 e 24 anos sem emprego em outubro, de acordo com o Departamento do Trabalho, é de 30,4% - este porcentual inclui apenas os que procuraram emprego e integram a População Economicamente Ativa.

O direito ao aborto, que costuma polarizar a sociedade americana, foi descrito como a principal questão na decisão de votar por apenas 3% dos entrevistados do Circle, indo contra o argumento de que este seria um dos temas mais importantes para os jovens. Obama se diz a favor do direito ao aborto. Romney, que apoiava no passado, se diz contra atualmente.

Shyran Srinivasan, editora do The Filibuster, uma publicação dos estudantes republicanos da NYU (Universidade de Nova York), escreveu artigo na última edição da revista afirmando que os alunos conservadores ainda sofrem com preconceito "e muitos precisam sair do armário". "É difícil ser de direita nesta universidade" afirma. Muitos destes jovens republicanos são simpatizantes de Ron Paul, o libertário deputado que conseguiu reunir dezenas de milhares de jovens em seus comícios nas primárias do partido.

Apesar desta empolgação republicana, Obama leva vantagem entre os universitários dos swing states. Pesquisa da American University indica que o presidente tem 54,3% dos estudantes das universidades, contra apenas 23,7% de Romney. Em relação a outros segmentos demográficos, há um apoio mais elevado para independentes (8,3%).

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