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Em 'relançamento' de campanha, Cristina critica a imprensa

Presidente argentina acusa mídia de ‘ocultar’ e ‘distorcer’ resultados de prévias, celebrando vitória na Antártida

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

14 de agosto de 2013 | 19h16

BUENOS AIRES - Depois de dois dias em silêncio, até mesmo no Twitter, a presidente argentina, Cristina Kirchner, reapareceu nesta quarta-feira, 14, discursando em uma cerimônia na Grande Buenos Aires na qual atacou a oposição e criticou a imprensa pela cobertura da imprensa às eleições primárias ocorridas no domingo.

A governista Frente pela Vitória sofreu sua maior derrota política, seus pré-candidatos ao Parlamento obtiveram 26% dos votos. Fragmentada, a oposição reuniu 74% das intenções.

Visivelmente irritada, Cristina - em clima de relançamento de campanha - acusou a imprensa de "ocultar" e "distorcer" os resultados eleitorais, já que nenhum meio de comunicação havia destacado que o kirchnerismo "havia sido vitorioso na Antártida, pela primeira vez (na história)". Segundo os dados eleitorais, dos 87 votos válidos registrados nas bases argentinas no continente gelado, 46 foram destinados aos candidatos da presidente.

Depois de comparar-se com o presidente Juan Domingo Perón, fundador de seu partido, o Justicialista (Peronista), Cristina sugeriu de forma ambígua uma hipotética mudança no rumo econômico. "As políticas econômicas não são eternas. Elas podem ser modificadas."

A presidente mencionou os dez anos do kirchnerismo no poder. "Sem tudo o que fizemos nesta década não haveria futuro na Argentina!" Depois, destacou a importância dos jovens na militância. La Cámpora, denominação da juventude kirchnerista, emitiu um comunicado no qual afirma que não dará "nenhum passo para trás" após a derrota nas urnas. A entidade afirmou que a oposição "está brindando com champanhe de forma antecipada" e exibindo um "triunfalismo obsceno".

Sindicatos. O caminhoneiro Hugo Moyano, diretor da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical da Argentina, ameaçou o governo Kirchner de dar respaldo a Sergio Massa, que desponta como novo líder dos peronistas dissidentes, de oposição. Pré-candidato a deputado na Província de Buenos Aires, Massa obteve 35% dos votos, enquanto o candidato de Cristina, Martín Insaurralde obteve 29%.

Moyano, que admitiu uma aproximação a Massa, afirmou em referência ao kirchnerismo: "esse modelo está esgotado". O sindicalista rompeu com a presidente em meados de 2012.

Assista ao vídeo da fala de Cristina, postado por ela em seu Twitter:

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