Em resposta a Bush, Assad diz que defende a paz no Iraque

O presidente sírio, Bashar al-Assad, respondeu neste domingo às críticas do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que acusou a Síria de estar incentivando a violência no Iraque, e lembrou que é o mais interessado na segurança e na estabilidade do país."O interesse na segurança dos dois países é mútuo, e o que prejudica um também prejudica o outro. Quando o Iraque está saudável e em paz, isto se reflete positivamente na Síria", disse Bashar al-Assad, em reunião com o presidente iraquiano, Jalal Talabani.A viagem de Talabani é a primeira de um presidente iraquiano à Síria em três décadas, e é considerada fundamental para melhorar a situação no Iraque. Por sua parte, Talabani rasgou elogios à Síria: "É um país que sempre nos honrou com sua hospitalidade nos piores dias, e que nos deu a segurança que não encontramos em nenhum outro lugar", disse, em referência a seu exílio de mais de 20 anos na Síria.Talabani, que lidera uma importante delegação do governo iraquiano, afirmou que "todas as partes aqui presentes, ou pelo menos a maioria, encontraram na Síria apoio moral, político efinanceiro". "Devemos muito à Síria; sua ajuda foi incalculável. Hoje agradecemos novamente pelo apoio, que nos ajudou a obter a vitória. Estamos na Síria para mostrar nosso compromisso no estabelecimento de melhores relações políticas, comerciais e petrolíferas comvocês", disse."Queremos romper as imposições que tentam impedir que cooperemos", disse, em aparente alusão aos Estados Unidos. "Esta é uma delegação que representa todas as partes iraquianas para fazer desta viagem uma visita do Iraque à Síria, e não só de presidente a presidente", disse Talabani.A agência de notícias síria Sana acrescentou que Assad "expressou a disposição da Síria em ajudar os iraquianos para conseguir a reconciliação nacional, a unidade do país, a estabilidade e a segurança, e deixou claro seu pleno apoio ao processo político no Iraque".A visita de Talabani à Síria ocorre no momento em que a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, está na região, no que alguns identificaram como uma tentativa dos EUA de criar um eixo árabe anti-xiita e anti-iraniano, que excluiria expressamente a Síria, acusada de fomentar e tolerar o terrorismo no Iraque.

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