Em resposta a Israel, Gates assegura que sanções contra o Irã funcionam

Netanyahu teria cobrado ameaça 'crível' de ação militar contra Teerã ao vice-presidente americano

Agência Estado

08 de novembro de 2010 | 08h58

MELBOURNE - O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, assegurou nesta segunda-feira, 8, que as sanções aplicadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e por vários países contra o programa nuclear do Irã estão funcionando.

 

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"Nós sabemos que eles estão preocupados com o impacto das sanções. As sanções estão tendo mais peso que eles anteciparam e nós estamos trabalhando muito duro nisso", disse Gates, em resposta às alegações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que disse ao vice-presidente americano, Joe Biden, que apenas uma ameaça "crível" de ação militar impediria o Irã de desenvolver uma bomba atômica, segundo um funcionário do governo israelense.

"Portanto, eu discordaria que apenas uma ameaça militar crível pode levar o Irã a tomar ações que precisa para encerrar seu programa de armas nucleares", avaliou Gates. "Nós estamos preparados para fazer o que for necessário, mas nesse momento nós continuamos a acreditar que a abordagem político-econômica que estamos tomando está de fato tendo um impacto sobre o Irã", completou o secretário.

 

Segundo a fonte do governo israelense, Netanyahu teria dito a Biden que "a única forma de garantir que o Irã não obtenha armas nucleares é criando uma ameaça crível de ação militar contra ele (país persa), se ele não parar sua corrida para adquirir uma bomba nuclear".

 

A administração do presidente Barack Obama não descarta uma ação militar contra o Irã, mas tem enfatizado as sanções e a diplomacia como curso preferencial para lidar com o impasse. As potências lideradas pelos EUA temem que o Irã busque secretamente armas nucleares, mas Teerã afirma ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

 

O diálogo entre Biden e Netanyahu, em Nova Orleans, ocorreu no momento em que as potências se preparam para retomar as conversas com o Irã sobre o programa nuclear do país. A notícia vem a público também dias após as eleições de meio de mandato nos EUA, quando o Partido Democrata de Obama perdeu o controle da Câmara dos Representantes e viu sua maioria no Senado diminuir. O senador republicano Lindsey Graham disse no sábado que os conservadores americanos querem uma ação "corajosa" contra Teerã.

 

O Irã já sofreu quatro rodadas de sanções no Conselho de Segurança da ONU por seu programa nuclear. Os EUA e a União Europeia (UE) já impuseram também outras punições unilaterais. O diálogo nuclear inclui Reino Unido, China, França, Rússia, Alemanha e EUA. As conversas estão paradas desde outubro de 2009. As informações são da Dow Jones.

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